Ministro das Finanças, Vítor Gaspar, anunciou quarta-feira em Berlim um acordo com o banco estatal alemão com vista ao financiamento da economia portuguesa. Em causa, estão linhas de crédito e a possibilidade de participação indirecta em PME. O objectivo é reanimar a economia portuguesa e o emprego.

“Em termos de financiamento, as autoridades alemãs estão receptivas para ajudar Portugal. Foi feita uma colaboração com o KFW que envolve a definição de linhas de crédito e uma participação indirecta em PME”, disse Vítor Gaspar após a reunião de hoje com o seu homólogo alemão, Wolfgang Schaeuble.

O KfW Bankengruppe (grupo de bancos KfW) é um dos bancos de fomento líderes e mais experientes do mundo e está comprometido com a melhoria sustentável das condições de vida, focando nos âmbitos económico, social e ambiental.

O ministro das Finanças português fez ainda questão de salientar que no encontro bilateral não foi discutida a sétima avaliação da “troika” ao programa de ajuda externa a Portugal, tema que esteve em análise na semana passada na reunião do Ecofin.

“Não tivemos de discutir aqui mais detalhes”, disse Vítor Gaspar, adiantando que a Comissão Europeia tem estado “atenta e preocupada” com o impacto do processo de ajustamento no nosso país. Recordou que Olli Rehn, comissário europeu dos Assuntos Económicos, foi “um dos primeiros a reconhecer os impactos do esforço de ajustamento”. Considera, por isso, que são “injustas” as críticas que têm sido feitas à Comissão Europeia, sustentando que a instituição liderada por Durão Barroso “tem-se focado nos indicadores estruturais e não nos grandes números”.

Vítor Gaspar aproveitou ainda a conferência de imprensa após o encontro bilateral para agradecer “o apoio e amizade do Governo alemão” que considera “um activo precioso”, dirigindo-se a Wolfgang Schaeuble como “bom amigo”.

Na conferência de imprensa ao lado de Vítor Gaspar, o ministro alemão das Finanças voltou a elogiar Portugal.

Depois de um encontro com o homólogo português, em Berlim, Wolfgang Schäuble garantiu que nada foi discutido sobre a sétima avaliação da “troika” a Portugal, adiantando apenas que o país é “uma história de sucesso” no que toca à execução do programa de ajustamento.

O ministro alemão assegurou que “não há derrapagem orçamental” em Portugal que, nos últimos anos, tem merecido o apoio do Governo alemão nas reformas que tem levado a cabo.

“Mesmo a Grécia fez enormes esforços e implementou muito mais do que se estava à esperava”, disse.