Com uma grande diversidade étnica, cultural, social, política e recursos minerais, a África continua pobre.Hoje, o continente “berço” comemora o seu 55º aniversário num cenário rodeado de desafios e incertezas quanto ao futuro.
A propósito desta importante data, o JE saiu à rua para ouvir dos citadinos o que esperam de África, sobre os desafios, perspectivas, assim como soluções rumo ao desenvolvimento sustentável.

Entraves
Para o comunicólogo, Osvaldo Manuel, a África resgistou alguns avanços em vários domínios, mas este nível de crescimento é insuficiente para se traduzir em melhorias significativas nas condições de vida das populações.
Considera que o grande entrave é a falta de desenvolvimento intelectual dos africanos, que é bastante precário. “Os africanos precisam de dominar a ciência, a tecnologia, para que possam responder as questões mais preocupantes do continente”, disse.
Defende que mais do que juntar cinergias, os governos africanos precisam industrializar o continente passando pela agriculta mecanizada e potenciar o empresariado local. Sublinha ser crucial uma forte aposta no sector das tecnologias de informação, assim como em infra-estruturas económicas, como factor chave para vencer os próximos desafios.
“O continente só está atrasado por falta de conhecimento, educação e cultura, questões que não se resolvem só com leis, mas com ciência”, atira Osvaldo Manuel.

Novos desafios
Por seu turno, o gestor hoteleiro, René Bento assegura que hoje, a África está a caminho de novos desafios e sob um novo olhar ocidental, com base nas decisões nacionais, regionais e continental.
“Grandes passos estão a ser notáveis na resolução de conflitos e cooperações nos mais variados domínios para o seu crescimento”, afirmou.
Apesar disso, considera ser urgente uma mudança de paradigma na execução das políticas, assim como as formas de cooperação com o ocidente. René Bento ressalta que a agricultura e os investimentos públicos em infra-estruturas e serviços sociais devem ser o suporte do crescimento das economias africanas.
Para o antropólogo, Pedro Bélgio, um dos desafios dos países africanos continua a ser a aposta na produção local, a fim de potenciar a sua economia e gerar empregos.
“Precisamos de transformar os nossos recursos sem depender da mão-de-obra ocidental e fazer de África um gigante
mundial”, defende Pedro Bélgio.
O especialista acha ser fundamental acabar-se com a corrupção, sendo um dos piores entraves ao desenvolvimento económico.
Para ele, é importante que haja mais investimentos na educação como forma de potenciar e
valorizar a força de trabalho.
Acrescenta ainda que entre as principais tarefas urgentes para a generalidade dos países africanos cinge-se em aumentar o potencial de crescimento a médio prazo.
“Outra questão que também merece uma reflexão profunda é a forma como os alguns líderes africanos
concentram-se no poder”, disse.

África endividada
Na visão do activista político, Carlos Lopes, o continente é um espaço que todos os países Ocidentais dizem que vai
ter um futuro promissor.
“Na prática, apenas exploram as matérias-primas e concedem crédito com taxas de juro elevadas, endividando excessivamente os Estados que os solicitam e que depois ficam décadas a pagar a credores externos, hipotecando as gerações futuras”, considera.
Defende uma boa governação, assim como a consolidação da democracia, num combate cerrado à corrupção que mina o desenvolvimento económico e social dos africanos.
Carlos Lopes assegura ainda que os avanços registados são insignificantes na melhoria das condições de vida
da maioria dos africanos.
“Apesar dos seus recursos minerais a África continua a ser um continente pobre”, finalizou.