Atingidas por uma violenta crise, as empresas ibéricas atacam o continente africano e começam a afirmar-se em alguns mercados como Angola, Marrocos e Argélia onde foram os maiores investidores privados em 2012, tendo mesmo superado a concorrência gaulesa.

A economia espanhola encontra-se a viver uma profunda crise, tornando-se num dos países da Europa com maior taxa de desemprego. Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), em 2013, a Espanha terá uma recessão de 1,6 por cento, antes de ver o seu Produto Interno Bruto (PIB) a estagnar em 2014.

“Não há crescimento na Espanha, você precisa procurar em outro lugar!”, exclamou Albert Alsina, patrão do Fundo de Capital Mediterrânea, uma subsidiária da Riva y Garcia, o único grupo espanhol de investimento de capital presente em África, numa altura em que os homens de negócio do país estão agora em busca de oportunidades do outro lado do Mediterrâneo.

Neste contexto, o encontro entre os reis de Marrocos e da Espanha, há duas semanas em Rabat, não era apenas um facto político, uma operação económica importante.

Depois de ter sido ofuscado pela França, o vizinho espanhol voltou a ser o maior parceiro comercial de Marrocos.

As trocas comerciais entre os dois países, principalmente a favor da Espanha, saltaram de 6.400 a 7.300 milhões de euros entre 2011 e 2012, um aumento em grande parte impulsionado pela subida das importações marroquinas.

Entre 800 e 1.000 empresas espanholas em todos os sectores estão a operar em Marrocos, um país que por si só atrai 52 por cento dos investimentos latino-americanos no continente.

Se o caso marroquino é particular, dada a história e proximidade geográfica com a Espanha, não é menos verdade que a aposta de Madrid nos principais actores em África tem sido bem sucedida.

Por isso, hoje a Argélia é outro destino importante para as empresas espanholas, principalmente, as especializadas em construção e infra-estruturas. No final de 2012, Argel e Madrid assinaram um acordo-quadro para uma “joint ventures” que deverá construir 50 mil habitações.

E em Maio último, um consórcio de Rover Alcisa, Assignia e Elecnor conseguiu um crédito deconstruir o Ouargla eléctrico.

Por isso, as empresas espanholas estão a fazer uma grande aposta na construção de infra-estruturas e imóveis. Este consórcio e a Eurofinsa, estão agora na corrida para o grande projecto Inga III, na República Democrática do Congo, além do Gabão, onde construíram vários edifícios, incluindo o Estádio Omar Bongo, que foi palco dos jogos do CAN.

De recordar que, a Eurofinsa chegou à
Angola no início de 1980, e foi a “primeira empresa espanhola a instalar-se no país”, diz Rafael Torres, da CEO do grupo.

Outro grande gigante latino-americano em África, verdadeiro “case study”, é o grupo Pefaco que é um “player” importante especialmente no sector da hotelaria, jogos e entretenimento.

“Em termos de volume de negócios, este é o melhor dos continentes”, entusiasma-se Francisco Perez, presidente do grupo que tem as vendas anuais de 400 milhões de euros e emprega 5.000 pessoas em nove países da África. Após uma reunião recente do seu “board”, estabeleceu uma meta ambiciosa: dobrar de tamanho em dois anos.

Recuperar o atraso
Ainda assim, como observou o Think Tank Instituto Real Elcano, as empresas espanholas têm anos de atraso em relação aos seus homólogos franceses, britânicos, alemães, americanos, portugueses e, mais recentemente, os chineses.

Apenas 0,2 por cento de seus investimentos directos no exterior vão para África subsahariana.

As exportações espanholas para o continente (1.4,4 mil milhões de kwanzas em 2011), embora tenham aumentado, continuam muito abaixo das importações (2.961,6 mil milhões de kwanzas).

Não surpreendentemente, estes são amplamente dominados pelo petróleo e seus derivados (2.071,8 mil milhões de kwanzas). E um país ao Sul do Sahara que domina as suas importações não petrolíferas é a África do Sul.

Mas nesta análise, os observadores destacam o facto de a Espanha hoje ser o principal parceiro comercial da Argélia, destronando a França, com trocas comerciais no valor de 613,1 mil milhões de kwanzas.