Na linha das propostas eleitorais do novo Presidente francês, Emmanuel Macron, Espanha exige a criação das bases para “um verdadeiro governo económico”, já que o euro “é um projecto inacabado”. Argumenta que, durante a crise económica e financeira, quando a Europa deu prioridade às “necessidades de curto prazo” em vez de responder com “um plano bem estruturado”, o desenho do euro “revelou erros críticos”, que agora se torna necessário corrigir.
Para a Espanha, “as falhas na arquitectura do euro explicam os diferentes impactos da última crise. O euro não necessita apenas de bombeiros, mas também de arquitectos”, lê-se no documento, onde se alerta também para o enorme fosso criado entre o Norte e o Sul, que obriga a corrigir os desequilíbrios de uma maneira especialmente dispendiosa, sobretudo em termos de desemprego.
O diagnóstico feito por Espanha – que, para o El País, foi um dos países mais castigados pela crise -, contém vários ingredientes para agradar ao novo Presidente francês, mas não deverá recolher o apoio da Alemanha, uma economia que se encontra em situação de pleno emprego, com contas públicas equilibradas e um colossal excedente comercial que infringe as regras europeias. “Não vejo porque é que as políticas hão de mudar”, disse, há dias, a chanceler Angela Merkel, numa alusão às ideias
defendidas por Macron.
Mas essa não é a posição espanhola, que agora vem defender uma política orçamental comum para a zona euro, admitindo mesmo redesenhar o Pacto de Estabilidade para evitar agravar as recessões com duras medidas de austeridade. É o Pacto de Estabilidade que define as regras de controlo das contas públicas que os países membros da moeda única devem acatar.

Futuro do Euro

Tal como Paris, Madrid já fez chegar o seu contributo à Comissão Europeia, que prepara para o final do mês um relatório sobre o futuro do euro. O projecto está explicado em sete páginas.
De acordo com o documento, a zona euro necessita de um orçamento comum para garantir uma capacidade orçamental contra os “choques assimétricos”. Esse orçamento, que começaria por ter uma dimensão limitada, poderia crescer através da emissão de dívida e, numa fase posterior, incluir “um seguro de desemprego que possa substituir parcialmente
os subsídios nacionais”.
A partir de certa altura, a Espanha considera imprescindível uma mutualização da dívida pública na Europa, através do lançamento do euro em obrigações para “reforçar a confiança da moeda e acabar de forma credível com os riscos.