As muitas acusações mútuas de ciberespionagem entre os EUA e a China tiveram esta semana um desenvolvimento inédito. A justiça americana acusou cinco elementos do exército chinês de terem roubado segredos industriais de empresas dos EUA.

Numa conferência de imprensa em Washington, o departamento de justiça informou que os cinco indivíduos são acusados de terem obtido informação estratégica de empresas que foi depois usada para favorecer firmas chinesas, algumas das quais estatais.

Entre as empresas vítimas dos alegados ataques de espionagem estão a Alcoa (uma das maiores produtoras mundiais de alumínio), a Westinghouse (que fabrica equipamentos de electrónica), a Allegheny Technologies (que produz materiais para indústrias como a aeronáutica e a petrolífera) e ainda subsidiárias americanas da alemã SolarWorld, uma fabricante de painéis fotovoltaicos.

O procurador-geral americano (cargo equivalente ao de ministro da Justiça), Eric H. Holder Jr., afirmou que sobre os cinco cidadãos chineses recaem acusações de fraude informática e intrusão em sistemas informáticos. De acordo com Holder, o grupo faz parte de uma unidade do exército chinês, conhecida como “unidade 61.938”, que tem sido várias vezes apontada como autora de ciberataques.

“Declaramos que membros da unidade 61.938 conspiraram para entrar em computadores de seis vítimas nos EUA, para roubar informação que daria uma vantagem económica aos concorrentes das vítimas, incluindo empresas detidas pelo Estado chinês”, disse Holder, numa intervenção também disponível on line. Os acusados – para os quais o FBI criou cartazes com a respectiva fotografia e a palavra “procura-se” – foram indicados pelo nome.

A acusação, porém, é sobretudo uma afirmação política e eleva o tom da discussão que os dos países têm tido sobre este tema. Não é provável que os cinco acusados alguma vez sejam levados a um tribunal americano. Para isso acontecer, teriam de entrar em solo americano ou viajar para um país que tenha um acordo de extradição com os EUA.

Em resposta, o Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês publicou uma nota em que acusa os EUA de terem “fabricado os factos” apresentados e na qual diz que a acusação “viola seriamente as normas básicas das relações internacionais e prejudica a cooperação sino-americana.