Tal como esperavam os analistas, os Estados Unidos da América (EUA) colocaram um fim à taxa alfandegária zero que contemplava os produtos importados da Turquia: o governo de Washington excluiu o país euro-asiático do Sistema de Preferências Generalizadas (SPG), que permitia a entrada no país de produtos turcos com tarifas mínimas.
A decisão, tomada em meados de Março, entrou agora em vigor, apesar de todos os apelos – onde se inclui a própria China – para que a Casa Branca recuasse na sua decisão. Mas nada foi conseguido: o executivo dos Estados Unidos justifica a decisão com o argumento de que a Turquia já tem uma economia suficientemente desenvolvida, e não precisa mais deste tipo de apoio externo às exportações.
Os Estados Unidos designaram a Turquia como beneficiária do programa GSP em 1975. Agora, a administração Trump considera que o aumento do PIB “per capita” turco nos últimos anos, bem como a queda dos índices de pobreza e a diversificação das suas exportações, são prova de que a economia atingiu um grau em que já não precisa daquela ajuda.
Paradoxalmente, a Casa Branca chegou a essa conclusão numa altura em que o abalo da queda da lira turca continua a ser uma evidência em termos do crescimento da economia. É certo que as exportações têm crescido – como os empresários portugueses do sector têxtil bem sabem – mas à custa das suas próprias margens, o que em termos macro, não é propriamente um factor de consolidação.
A imposição mútua de tarifas foi um processo que começou há cerca de um ano, quando a Turquia se viu obrigada a proceder a uma forte desvalorização da moeda, na sequência daquilo que o governo de Recip Erdogan considerou ser um “raid” norte-americano sobre a economia do país euro-asiático.