O crescimento económico de Moçambique deverá recuperar de forma ligeira para uma taxa de 4,2 por cento este ano, apoiado quase que exclusivamente pelo sector mineiro, depois de em 2016 ter atingido o valor mais baixo dos últimos 15 anos, escreveu a Economist Intelligence Unit (EIU), no seu mais recente relatório sobre o país.
Os analistas da EIU escreveram ainda que a indústria carbonífera vai-se expandir de forma acelerada, devido ao aumento dos preços que se verifica nos mercados internacionais, comparativamente a 2015/16, a uma procura robusta por parte da Índia, o maior mercado de exportação de Moçambique, bem como aos esforços desenvolvidos pelas empresas mineiras no sentido de reduzirem custos de produção.
A produção crescente de grafite, na província de Cabo Delgado, bem como de pedras preciosas, com relevância particular para os rubis extraídos igualmente naquela província do norte de Moçambique, vai igualmente apoiar o crescimento económico.
No entanto, a pressão fiscal, a falta de liquidez no sistema e uma inflação elevada vão travar a procura doméstica e a incerteza política vão fazer com que o investimento continue a ser muito reduzido.
Após 2017, a economia de Moçambique deverá acelerar para atingir um crescimento médio de 5,3 por cento no período de 2018 a 2021, com um mínimo de 4,8 em 2018 e um máximo de 5,5 no último ano do intervalo.
O documento da EIU adianta que a consolidação fiscal limitará a expansão dos sectores dos serviços e da construção civil, tradicionalmente dependentes de contratos do Estado, mas acrescenta ser de prever que algum investimento ocorra já em 2018, à medida que os empresários recuperem a confiança.
A expansão das culturas de rendimento permitirá a expansão do sector agrícola, mas o crescimento a ser registado será prejudicado por deficientes condições logísticas. A EIU acrescenta ainda no documento que a exploração das reservas de gás natural descobertas na bacia do Rovuma vai ser um dos motores do desenvolvimento da economia do país.