A Reserva Federal (Fed) norte-americana cortou as taxas de juro três vezes seguidas e poderá fazer agora uma pausa nos ajustamentos.
Ainda não é certo que o banco central dos EUA opte por novas descidas, mas o que é improvável é que os juros caiam até “terreno” negativo como acontece na Zona Euro, segundo mostram as minutas da última reunião de política monetária da instituição.
Após essa reunião, o presidente da Fed, Jerome Powell, anunciou a terceira descida deste ano da taxa de referência, em 25 pontos base para um intervalo entre 1,5 e 1,75 por cento.
“Vários participantes continuam a ver os riscos negativos em torno do outlook económico como elevados, realçando ainda mais as razões para um corte de juros”, revela a acta.
Os decisores políticos apontaram que a visão é de que “a posição actual da política monetária deverá manter-se apropriada enquanto a economia tiver um desempenho em linha com as expectativas”, mas também que “não tem um curso pré-definido e pode mudar se os desenvolvimentos levarem a uma reavaliação material do outlook económico”.
Tal como Powell tem vindo a defender, fica em aberto se a Fed pretende ou não fazer novos cortes de juros e o curso será determinado pelo crescimento económico.

Efeitos da guerra comercial
No III trimestre, a economia norte-americana expandiu a um ritmo de 1,9%, depois dos 2% registados nos três meses anteriores, com a guerra comercial a pressionar o país.
Enquanto esperam para decidir o que fazer, os decisores políticos debateram as opções em cima da mesa, incluindo compra de activos, operações de mercado para reforçar a liquidez do sistema financeiro ou juros negativos.
“Os participantes comentaram que há um espaço limitado para levar a taxa até terreno negativo, que há dados mistos sobre os efeitos benéficos de taxas de juro negativos no estrangeiro, bem como que não é claro sobre os efeitos negativos que pode ter na vontade dos intermediários financeiros de concederem crédito ou às perspectivas de gastos de famílias e empresas”, pode ler-se nas minutas.
Powell afirmou que esse abrandamento se deve em parte à longa greve na General Motors, mas também a uma descida do investimento relacionada com a incerteza criada pela guerra comercial desencadeada pela actual administração norte-americana.