Com o objectivo de chamar atenção para a produção e para o consumo excessivo de sacos plásticos, propondo-se alternativas para resolver este sério problema ambiental, assinalou-se a 3 de Julho o dia internacional sem sacos de plástico.
Com efeito, muitos países não se limitaram à sensibilização e avançaram mesmo com medidas pesadas. Por exemplo, o Quénia proibiu, esta semana, a utilização, fabricação e importação de sacos de plástico, delitos cujo infractor pode ser condenado a uma pena de prisão ou a uma multa severa, com o objectivo de combater a poluição.
A proibição visa principalmente os sacos distribuídos pelos comerciantes, não os bens embalados no plástico, nem os sacos específicos utilizados para o lixo. A medida, entretanto, foi anunciada seis meses antes, para dar aos consumidores e comerciantes o tempo de se adaptarem à futura legislação.
Para o efeito, a agência queniana de gestão do ambiente (NEMA) havia publicado anúncios nos principais jornais, para explicitar os visados. Ela entrou em vigor, esta segunda-feira, depois da rejeição, sexta-feira, pelo tribunal supremo, de uma queixa dos importadores de sacos de plástico, que alegavam ser uma importante perda de empregos.
Dezenas de outros países já proibiram ou limitaram um uso de sacos de plástico. Mas a lei queniana parece ser muito dura em relação aos delitos graves, com multas que podem atingir os 32 mil euros e penas de prisão de, no máximo, quatro anos. Segundo o Programa da ONU para o Ambiente (PNUE), os supermercados quenianos distribuem anualmente 100 milhões de sacos de plástico.
Na última década, o Quénia tentou, sem sucesso, por duas vezes, proibir os sacos de plástico. Mais agora, a medida parece beneficiar de um grande apoio, porque a poluição com o plástico tornou-se visível.
Já a Costa Rica quer ser o primeiro país a eliminar o uso de plásticos não reutilizáveis, tendo estabelecido o ano de 2021 como meta para retirar de cena o uso de sacos, garrafas e outros utensílios que são usados uma única vez. Isto faz parte dos planos deste país América Central para se tornar neutro nas emissões de carbono.
Depois de ter sofrido bastante com a desflorestação em décadas passadas, a Costa Rica tem feito um bom trabalho de recuperação da área florestal do país desde os anos 90. Cerca de 800 toneladas diárias de plástico não reutilizáveis aparecem em zonas naturais, onde constituem uma das principais fontes de poluição. Para substituir os plásticos, universidades locais já estão a pesquisar alternativas que possam ser igualmente baratas, com um grupo de estudantes da Universidade da Costa Rica a terem já criado um material feito a partir de bananas, que será cinco vezes mais resistente, mas que terá a vantagem de se desintegrar em 18 anos.
O material chama-se acetato de celulose e pode ser feito a partir dos amidos extraído de várias plantas locais (nomeadamente bananeira ou mandioqueira), bem como de quitina, elemento que forma as carapaças de crustáceos como o camarão ou o lagostim.