O novo Acordo de Livre Comércio Continental é um primeiro passo positivo para a criação de um mercado pan-africano integrado, disse segunda-feira a directora do Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde, na abertura da conferência “Olhando à frente para traçar o curso de hoje: O futuro do trabalho na África subsahariana”, que decorreu esta semana em Acra, a capital do Ghana. No evento, Christine Lagarde apresentou três cenários diferentes de como as forças podem impactar a prosperidade económica da região e sugeriu algumas áreas de política em que os governos podem buscar, para criar um ambiente propício ao crescimento inclusivo e à criação de empregos. O primeiro passo, é “um olhar rápido para trás”. Neste campo, a directora do FMI diz que “antes de chegarmos ao futuro, vamos dar uma rápida olhada para trás”. A África Subsahariana registou crescimento relativamente robusto por quase duas décadas. A região criou quase 9 milhões de empregos por ano, desde 2000, a par com o aumento da força de trabalho. A parcela da população que vive em extrema pobreza diminuiu de 59 por cento, em 1993, para 41, em 2015. “O Ghana tem se saído muito bem e, na verdade, é um dos nove países da África Subsahariana que atingiu o Objectivo de Desenvolvimento do Milénio de reduzir pela metade a pobreza extrema”, referiu. Ao mesmo tempo, a maioria dos novos empregos em toda a região está na agricultura e nos serviços tradicionais. Muito poucos têm trabalhado em empregos industriais e serviços modernos mais bem pagos. Segundo, Christine Lagarde olha para as “forças globais e regionais a moldar o futuro e como garantir que as próximas décadas possam gerar um forte crescimento económico” e mostra, em primeiro plano, a factor demográfico. A população Subsahariana deve aumentar cerca de mil milhões de habitantes hoje, para 1,7 mil milhões até 2040. A força de trabalho deve aumentar o dobro da taxa da última década e, em consequência, o continente precisa de criar 20 milhões de empregos por ano, para acompanhar a crescente força de trabalho. “Se for bem sucedida, esta região poderá desfrutar de um período prolongado de alto crescimento, o chamado dividendo demográfico”, admitiu a directora do FMI, mas chama já atenção para os factores externos, que são a tecnologia e as mudanças climáticas. A pesquisa do FMI mostra que a mudança climática deve atingir os países de baixa renda mais difícil, porque uma elevação de 1 grau Célsius na temperatura pode fazer com que os países de baixa renda experimentem uma queda de 1,5 por cento do PIB, em média. Em terceiro, são referenciados outros três futuros possíveis, um deles (“Africa Adrift”) a indicar que o modelo tradicional de crescimento liderado pelas exportações da manufactura será inviável e que grandes investimentos em infra-estrutura que promovem as exportações de manufacturados podem ser desperdiçados. Três dos muitos futuros possíveis fornecem uma imagem de como as forças incertas de hoje podem moldar o futuro da África Subsahariana e dão um ponto de vantagem para explorar como as nossas escolhas políticas podem influenciar o amanhã, essencialmente em políticas de educação e de conectividade digital. Hoje, e apesar de alguns sucessos no ensino primário, a África Subsahariana fica para trás no ensino secundário. A parcela de crianças na região que frequenta a escola secundária é de apenas 30%, a mais baixa do mundo.