O primeiro-ministro são-tomense, Jorge Bom Jesus, anunciou ter ordenado a suspensão das viagens em classe executiva para todos os ministros do seu Governo, que passarão doravante a viajar a classe económica.

O primeiro-ministro justificou a sua decisão como forma de "poupar dinheiro do erário público", garantindo que "a produção interna é fraca e que São Tomé e Príncipe não tem capacidade para contrair dívidas".

Advertiu que todos os cidadãos são-tomenses "estão obrigados a poupar, para não endividar o país", na ausência demeios para pagar as despesas.

Jorge Bom Jesus, que está prestes a completar três meses de governação, falava pouco depois de devolver aos cofres do Estado cerca de dois mil dólares americanos sobrados da verba que lhe foi atribuída em duas missões aos estrangeiro, designadamente em Angola e Etiópia.

"Este gesto significa que nenhum dirigente político deve viver na opulência, que o país não tem meios para suportar os encargos financeiros," disse .

O chefe do décimo sétimo Governo constitucional são-tomense afirmou igualmente que devolveu o dinheiro em causa "como forma de educar os dirigentes", e que cumpriu os princípios da sua formação, enquanto docente, e espera que o gesto seja seguido por todos os são-tomenses.

A posição do primeiro-ministro Jorge Bom Jesus foi tornada pública, esta semana, durante a entrega da proposta de Orçamento Geral do Estado (OGE), avaliado em 150 milhões de dólares americanos, ao Parlamento para discussão e aprovação.

"Trata-se de um Orçamento de emergência e queremos executá-lo em sete meses", afirmou.

A proposta de orçamento não contempla aumento salarial, disse, frisando que as exigências do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial (BM) retiram esta possibilidade.