A cimeira dos oito países mais industrializados do mundo (G8) prevista para Junho na estância de Sotchi, no Mar Negro, vai ser substituída por um encontro a sete em Bruxelas, em protesto pela absorção da Crimeia pela Rússia, que está prestes a ser formalmente expulsa do grupo a que aderiu em 1998.

O anúncio foi feito pelo presidente do Conselho Europeu Herman Van Rompuy. Pouco depois, os líderes do G7 diziam-se prontos a reforçar as sanções contra a Rússia se a Ucrânia continuar a ser desestabilizada. A ameaça faz parte do comunicado final de uma reunião em Haia.

“Estamos preparados para intensificar as acções, incluindo com medidas contra sectores específicos que terão um impacto muito significativo na economia russa, se Moscovo não solucionar a situação”, lê-se no comunicado.

O texto “condena o referendo ilegal realizado na Crimeia” e a “tentativa ilegal da Rússia para anexar” a península. O Governo russo é encorajado a “iniciar discussões com o Governo da Ucrânia”. Para além da cimeira de Junho, os líderes do G7 avisam que a sua “participação no G8 ficará suspensa até que a Rússia mude de rumo e voltar a haver um ambiente onde o G8 possa ter uma discussão significativa”.

O cancelamento do encontro na Rússia já tinha sido avançado pelo primeiro-ministro britânico, David Cameron, à margem de uma cimeira sobre a segurança nuclear, que decorre até terça- -feira em Haia e que acabou por ser totalmente dominada pela crise da Ucrânia.

Presente na cimeira no quadro de uma visita de quatro dias à Europa, o Presidente norte-americano, Barack Obama, passou o essencial do dia de segunda-feira a reunir apoios para a linha dura que adoptou contra Moscovo e que se traduziu em sanções mais firmes do que as europeias dirigidas aos próximos do Presidente russo, Vladimir Putin, e a um dos bancos próximos do regime.

Segurança energética
Na semana passada, a União Europeia (UE) decidiu congelar os bens financeiros e decretar a proibição de concessão de vistos de entrada na UE de 33 próximos Putin. Por enquanto, os 28 hesitam em ir mais longe devido à forte ligação entre as suas economias e a economia russa e, sobretudo, à sua forte dependência do gás russo, que assegura 30% do consumo na UE. Mesmo assim, os 28 prometeram medidas mais duras, de natureza económica que poderão visar alguns bancos, em caso de escalada de Moscovo na Ucrânia.

No comunicado do G7 é ainda anunciado que os ministros da Energia dos seus membros “se vão encontrar para debater formas de fortalecer a segurança energética colectiva”.

Foi por iniciativa do Presidente americano, aliás, que líderes dos outros sete países do G8 – Estados Unidos, Canadá, Alemanha, França, Reino Unido, Itália e Japão – iniciaram ao princípio da noite de segunda-feira uma reunião para concertar posições sobre como aumentar a pressão sobre a Rússia, que, segundo Nato, continua a acumular tropas na fronteira com a Ucrânia.

Mesmo se a absorção da Crimeia pela Rússia é dada como praticamente irreversível, europeus e americanos estão a dar tudo por tudo para evitar eventuais incursões de Moscovo no resto da Ucrânia e mesmo na vizinha Moldávia, igualmente ex-república soviética, e admitem até uma desestabilização dos três Estados Bálticos – Estónia, Letónia e Lituânia – que são membros da UE e têm importantes minorias russas.

A expulsão da Rússia do grupo dos países mais industrializados, que abandonaram em 1998 a sua denominação tradicional de G7 para incluir Moscovo, tinha sido defendida na semana passada pelo secretário de Estado americano, John Kerry