O último relatório “Economic Insight: África Q2 2019”, do Institute of Chartered Accountants in England and Wales (ICAEW), indica que a África receia um contágio na diminuição do preço das matérias-primas, uma vez que uma guerra comercial entre os Estados Unidos da América e a China se está a espalhar.
O Icaew - uma organização contabilística e membro fundador do Chartered Accountants Worldwide e do Global Accounting Alliance, disponibiliza previsões de crescimento para diversas regiões, incluindo a África Oriental, a região em África que se estima ter registado um crescimento real mais rápido do PIB (produto interno bruto) em 2018 e com previsão que assim continue nos próximos dois anos, a uma taxa de crescimento de 6,1 por cento.
A seguir a África Oriental encontra-se a Zona Franca, sendo a segunda região com crescimento mais rápido em África, com previsões de crescimento do PIB de 4,9 por cento para 2019. O relatório, encomendado pelo Icaew e efectuado pelo parceiro prognosticador Oxford Economics, destaca o papel da diversidade económica em enfrentar o preço instável do petróleo e o preço das matérias-primas.
A África Austral é a região do continente que verifica um crescimento mais lento, com um crescimento do PIB previsto que dificilmente chega aos 1,8 por cento este ano, menos um terço da taxa de crescimento da África Oriental. O crescimento no Sul do continente é arrastado para baixo pela África do Sul, a economia dominante da região (é responsável por mais de dois terços dos rendimentos regionais), onde a previsão de crescimento é de manter desanimados uns, com os 0,8 por cento para 2019.
O crescimento lento de Angola (a segunda maior economia da região), colocado pelo “Economic Insight: África Q2 2019” em 1,1 por cento este ano, após uma contracção em 2018, que o Governo assentou em 2,7, serve como obstáculo ao crescimento da África Austral.
De acordo com o relatório, receia-se que o abrandamento na China resulte numa diminuição na procura de matérias-primas em África, em conformidade com preços de matérias-primas mais baixos. Tal como aconteceu anteriormente, os preços das matérias-primas desceram drasticamente, as economias pouco diversificadas ficarão sob pressão, à medida que os saldos das contas correntes pioram, as unidades monetárias ficarão sob pressão, os preços irão aumentar e os bancos centrais aumentarão as taxas de juro.
Durante o seu discurso na divulgação do último relatório, Michael Armstrong, director Regional do Icaew no Médio Oriente, Ásia e África, disse que a resistência das economias diversificadas na parte oriental do continente desempenha um papel importante em atenuar os impactos da flutuação dos preços das matérias-primas.
O crescimento do PIB na Zona Franca está previsto em 4,9 por cento para 2019. A maior parte do crescimento irá verificar-se na Costa do Marfim, que se prevê que demonstre um crescimento real do PIB de 7,0 este ano, em grande parte devido ao crescimento de serviços (porém, as exportações de cacau ainda são cruciais). O norte de África apresenta uma mistura algo divergente.