É já em Março que o Reino Unido deve sair da União Europeia (UE), ainda que há perspectivas de um segundo referendo em torno desse assunto. A lei britânica obriga a um mínimo de seis meses de preparação, antes de um novo referendo, mas é possível que as autoridades inglesas venham a estender as negociações com a Comissão Europeia.

A saída do Reino Unido da União Europeia está prevista para Março de 2019, mas a imprevisibilidade do impasse significa que, até lá, as perspectivas podem mudar. O apoio popular para um novo referendo aumentou, mas já não é possível realizá-lo antes do derradeiro mês de Março, uma vez que a lei britânica exige, pelo menos, seis meses de preparação. Uma hipótese alternativa seria estender o período de negociação, ao abrigo do “Artigo 50”, e começar, no curto prazo, a campanha para um novo referendo.
Para já, com a saída da União Europeia milhares de britânicos querem tornar-se cidadãos irlandeses. Há poucos meses da saída do Reino Unido da União Europeia, cidadãos britânicos procuram garantir passaportes de países que vão permanecer no bloco, entre eles a Irlanda. Com um total de mais de 183 mil pedidos, o número acumulado em 2018 atingiu novo recorde, informou o Departamento de Estado Irlandês.
Quase 85 mil desses pedidos foram apresentados na Irlanda do Norte, que faz parte do Reino Unido, 2,00 por cento a mais do que no ano anterior. No resto do Reino Unido, foram 98.500 pedidos, um aumento de 22 por cento em relação ao ano de 2017. No ano antepassado, o número de pedidos de cidadania irlandesa apresentados na Irlanda do Norte e no Reino Unido já havia registado aumento de 20 por cento em relação a 2016, o ano em que o “Brexit” foi aprovado em referendo.
Qualquer pessoa nascida na Irlanda ou Irlanda do Norte, ou cujos pais ou avós sejam originários da Irlanda, pode solicitar um passaporte irlandês. O ministro das Relações Exteriores da Irlanda, Simon Coveney, mostrou-se satisfeito com o aumento no número de pedidos. “O passaporte irlandês é um documento valioso”, disse Simon Coveney.
Em harmonia com o resultado do referendo do Brexit em 2016, o Reino Unido deve deixar a União Europeia no final de Março. Para já, não está claro se o parlamento britânico ainda vai conseguir aprovar, na próxima segunda-feira, 7 de Janeiro, o acordo de saída negociado pela primeira-ministra Theresa May com a UE. Ainda assim, caso a saída ocorra sem a aprovação de um acordo, existe a possibilidade de um “Brexit duro”, que pode ter consequências caóticas para os britânicos.
Na Alemanha, o número de britânicos naturalizados já aumentou de maneira acentuada e em 2017 solicitaram passaporte alemão 7.493 britânicos, o maior número já registado. A maioria dos solicitantes era de pessoas que fugiram para o Reino Unido durante o regime nazista e para se naturalizar essas pessoas contam com autorização especial para repatriamento, que consta no “Artigo 116” da Lei Fundamental - a Constituição alemã, segundo a “Deutsche Welle”, a agência pública de notícias da Alemanha.