A incerteza de planeamento devido à indecisão em torno da saída do Reino Unido da União Europeia desagrada
o sector económico.
Como resultado, investimentos recuam, prejudicando tanto economia europeia quanto britânica. Até o momento não se sabe se em breve haverá um novo acordo sobre o Brexit.
“Embora o comportamento do Reino Unido seja extremamente irritante, do lado europeu cabe agora cerrar os dentes e não perder a paciência”, comentou o presidente da Confederação do Comércio Exterior da Alemanha (BGA), Holger Bingmann, ao jornal alemão “Rheinische Post”, na passada segunda-feira.
Enquanto as voltas do carrossel do Brexit pouco a pouco deixam um ou outro tonto, a BGA pede paciência. Afinal, um Brexit caótico sem acordo seria a pior de todas as opções possíveis, segundo Bingmann.
A saída do Reino Unido da União Europeia (UE) está programada para 31 de Outubro. Mas, para tal, a Câmara dos Comuns em Londres teria que dar sua anuência ao acordo renegociado com a UE.
O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, confirmou o recebimento do pedido britânico de adiar o prazo do Brexit para
depois de 31 de Outubro.
Após uma longa disputa com a UE, Johnson havia concordado alguns dias atrás com um acordo de saída modificado, o qual foi imediatamente aprovado pelos líderes do bloco europeu.
A questão de como a fronteira entre a República da Irlanda, país-membro da UE, e a Irlanda do Norte, pertencente ao Reino Unido, pode permanecer aberta mesmo após o Brexit foi novamente esclarecida. Além disso, numa declaração política, Johnson acordou com Bruxelas que, no longo prazo, haverá apenas um vínculo informal entre seu país e a UE.
Holger Bingmann alertou sobre danos adicionais à economia: “É inacreditável o que os britânicos impingem a seus parceiros europeus. As empresas de ambos os lados do Canal da Mancha ainda continuam boiando, ainda sem saber quando e como moldar seus processos comerciais e
alfandegários no futuro.”

Depois da incerteza
Um estudo recente do Instituto Alemão de Pesquisa Económica (DIW) confirma essas consequências. “A incerteza contínua sobrecarrega a economia alemã”, diz o maior grupo de pesquisa económica da Alemanha.
Cálculos do DIW mostraram que, devido à incerteza desde a votação do Brexit, o crescimento económico na Alemanha caiu em média 0,2 ponto percentual por ano, desde Junho de 2016, em relação ao que estimado sem a decisão do referendo. No total, as perdas de crescimento chegam a cerca de 0,8 ponto percentual, e tendem a se manter.
Isso não é nenhuma surpresa. O DIW já previa em 2016: “É provável que os efeitos persistam além do curto prazo, já que as negociações para deixar a União Europeia provavelmente levarão vários anos”, e assim se devia esperar uma menor dinâmica de investimentos e enfraquecimento
do mercado de trabalho.