A Índia tem intrínseco interesse de ajudar a África a realizar o seu verdadeiro potencial, no quadro de uma abordagem “Índia para a África”, baseada no quadro de parcerias com taxas baixas de reembolso.

Há algum tempo, a Índia e vários países africanos, incluindo pequenas iniciativas lançadas por indianos em Angola na área comercial, aprofundam parcerias económicas e comerciais bilaterais, bem como a cooperação em áreas políticas, como defesa e segurança cibernética.
Segundo o ministro do Comércio e Indústria e Aviação Civil da Índia, Suresh Prabhu, a Índia e a África devem tomar medidas firmes para assinar um acordo de livre comércio ou um acordo de comércio preferencial.
Para já, de acordo com o ministro, a indústria indiana deve estender todo o apoio aos países africanos, visando processar recursos naturais na própria África.
O ministro acrescentou que mesmo que a Índia se torne uma economia de 5 biliões de dólares nos próximos anos e uma economia de 10 biliões depois disso, o país esforça-se para ajudar a África a manter o seu próprio ritmo de crescimento económico.
Suresh Prabhu referiu que a Índia recebeu fluxos recordes nos indicadores de desenvolvimento económico (IDE) no último ano fiscal e os fluxos de investimentos externos indianos também mantêm um contínuo aumento.
“A África seria o destino preferido dos investimentos indianos”, sublinhou o ministro.

Criar oportunidades

O secretário de Estado indiano das Relações Exteriores, T.S. Tirumurthi disse a propósito, que o seu Governo está empenhado em capacitar quadros e criar oportunidades em todo o continente africano, dando como referência o primeiro tele-curso sobre análise de “Big Data” oferecido pela Índia a pessoas do Gana e da Tanzânia.
O secretário sublinhou que o curso será desenvolvido, num futuro próximo, em muitos outros países africanos.
Para as autoridades indianas, a 14ª edição do fórum do Banco CII-EXIM, sobre a “Parceria Índia-África”, superou todas as expectativas, por ter aprofundado questões sobre os mais de 500 projectos em desenvolvimento no Continente Africano.
O fórum económico co-organizado pelo CII com o Banco de Exportação-Importação do país (CII-EXIM), é um palco em que as autoridades indianas buscam suporte para a sua intervenção consolidada em África.
Ao longo dos anos, empresas indianas investiram em África, em diversos sectores, como agricultura, agroprocessamento, petróleo, gás, mineração, minerais, educação, saúde, medicamentos e produtos farmacêuticos.

Fluxo comercial bilateral
vai ser incrementado

Em 2017-18, as exportações da Índia para a África foram avaliadas em 24 mil milhões de dólares, enquanto as importações indianas de África foram avaliadas em 38 mil milhões.
O futuro mostra um enorme potencial para a expansão do fluxo do comércio bilateral Índia-África, para o qual a Índia deve procurar diversificar, geograficamente, os laços com os africanos, como também diversificar a balança de comércio bilateral.
O volume do comércio bilateral Índia-África ficou entre 2017 e 2018, em 62,66 mil milhões de dólares, tendo alcançado 22 por cento, um indicador maior em comparação ao do ano anterior.
O novo dinamismo das economias africanas contribuiu para que a região emergisse como um dos destinos de investimento global altamente atraentes.
“Isto abre caminho para uma série de parcerias de projectos internacionais”, de acordo com um comunicado divulgado sexta-feira pelo Governo da Índia.
O défice de financiamento de infra-estruturas físicas de África foi estimado em 170 mil milhões de dólares, tendo já criado oportunidades de investimento privado em estradas, portos e aeroportos, linhas ferroviárias, geração de energia, transmissão e distribuição, entre outros segmentos de bens e serviços manufacturados necessários.

Parceria estratégica

A parceria Índia-África assume uma importância crítica para a economia global que enfrenta uma desaceleração, moderando os fluxos
de comércio e investimento, aumentando o proteccionismo comercial e apertando as condições de financiamento.
O crescimento económico de África em 2018 continuará em 2019 na África subsaariana, com uma média de 3,6 por cento nos próximos dois anos, segundo estimativas do Banco Mundial.
No Continente Africano, a Índia está fortemente empenhada em 27 países, onde mantém grandes investimentos em sectores vantajosos de desenvolvimento sustentável, com 992 projectos, incluindo no Japão e nos Estados Unidos. AE e IL

Lesotho e Ghana reagem
parceria bilateral Índia-África

A nível de África, Monyane Moleleki, o vice-primeiro-ministro do Reino do Lesotho, já reagiu à oferta indiana sobre o aprofundamento da “parceria bilateral Índia-África”, admitindo que a mesma “é definida pelo espírito de desenvolvermos juntos, de forma igual”.
Para o vice-primeiro-ministro do Reino do Lesotho, os principais pontos fortes de África são os abundantes recursos naturais e uma grande população capaz de atrair investidores para a região.
Monyane Moleleki observou que as linhas de crédito concedidas pelo Governo da Índia à África foram fundamentais para o aprofundamento das parcerias bilaterais, e avançou que, o seu país aguarda com expectativa a visita do vice-presidente da Índia ao Lesotho, dentro dos próximos dois meses.
Por sua vez, o vice-presidente da Ghana, Mahamudu Bawumia, foi a principal figura africana do 14º Fórum económico “Índia e África: criando parceria global para um mundo melhor”. Para Mahamudu Bawumia, tanto a Índia como o Ghana foram motivados por desafios comuns de desenvolvimento num mundo cada vez mais globalizado.
Segundo Mahamudu Bawumia, o “comércio e investimento, investimento em capital humano e digitalização ocupam a chave”, entre as diversas áreas prioritárias do país, acrescentando que a experiência da Índia em tecnologias de informação (TIC) são uma grande ajuda para o Ghana atingir as suas metas.

Desenvolvimento integrado

Antes, o co-presidente do Comité de África CII (Confederação da Indústria Indiana), S. Kuppuswamy explicou que, a cooperação bilateral nas áreas de moradias populares, saúde, agricultura e infra-estrutura acessíveis pode fazer uma diferença qualitativa na parceria Índia-África e um excelente instrumento para o papel da Índia nessa aposta no desenvolvimento integrado de África. AE e IL