A contracção da economia alemã, o crescimento da produção industrial chinesa abaixo do previsto e a queda do rendimento dos títulos da dívida pública dos Estados Unidos a 10 anos para valores inferiores aos das obrigações a dois anos, são sinais que preocupam os economistas.
A bolsa nova-iorquina encerrou quarta-feira, 14, com fortes perdas, com os investidores a cederem a um clima de incerteza envolvente da economia internacional e a multiplicação de sinais de recessão sobre a economia norte-americana.
“É quase como se estivéssemos a ver uma versão num livro da escola sobre um período pré-recessivo”, disse o director executivo da American Electric Power Co, Nicholas Akins, que fornece energia em onze estados norte-americanos, citado pelo The Wall Street Journal.
Na influência do comportamento dos mercados, esta semana, estava a contracção da economia alemã no segundo trimestre, por o seu Produto Interno Bruto (PIB) ter caído 0,1%, e o crescimento da produção industrial chinesa, que foi o menor em 17 anos, deixando os investidores com expectativa dos dados sobre as vendas à retalho e a produção nos EUA.
“Os dados económicos acalmaram e estão a enviar cada vez mais sinais de recessão, particularmente do lado industrial”, disse Michelle Meyer, responsável pela economia dos EUA no Bank od America Merrill Lynf. “O comércio é uma grande parte disso”, acrescentou.
Outro dos sinais de alerta de quarta-feira foi o rendimento dos títulos da dívida pública dos EUA a 10 anos, que caiu temporariamente para valores inferiores aos das obrigações desta dívida a dois anos, o que aconteceu pela primeira vez, desde 2007.
Este fenómeno, designado como “inversão das curvas de rendimento”, reflecte a diferença de rendimento pago pelo Estado norte-americano aos investidores que apostam na sua dívida a longo ou a curto prazo.
Temido nos mercados financeiros, isto é geralmente interpretado como um indicador avançado de uma recessão. “Se esta inversão se confirmar, quer dizer que o mercado accionista vai sofrer ainda mais, devido à incerteza, e vamos assistir a uma corrida para os activos considerados mais seguros”, como as obrigações, antecipou Peter Cardillo, da Spartan Capital Securities.
Mas os sinais de alerta têm vindo a multiplicar-se nas últimas semanas, com o preço do ouro e da prata a estremecer, a venda de acções e cada vez mais obrigações soberanas a registar taxas de juro negativa.
A guerra económica entre EUA e China também não ajuda, pois, se inicialmente o Presidente dos EUA, Donald Trump, beneficiava da situação económica positiva dos seu país para pressionar Pequim, um crescimento mais lento pode obrigá-lo a repensar o caso, mesmo que tenha, terça-feira, anunciado o adiar de algumas tarifas sobre importações chinesas.
Na quarta-feira, o índice selectivo Dow Jones Industrial Average perdeu 3,05%, para os 25.479,42 pontos, naquilo que já é a sua perda mais dura deste ano. Ontem, as bolsas europeias negoceiam ainda sem tendência definida, escapando às quedas de quarta-feira em Wall Street e graças ao comportamento positivo das praças asiáticas, com as acções chinesas a negociar em terreno positivo.