Ao contrário da tendência mundial em 2012, o investimento estrangeiro directo (IED) aumentou cinco por cento em África, de acordo com o relatório anual da conferência das Nações Unidas para o comércio e desenvolvimento (CNUCED), publicado no final de Junho.
África é uma das poucas regiões do mundo que tem vindo a destacar-se na economia global. Enquanto o investimento estrangeiro directo (IED) caiu 18 por cento nos fluxos financeiros globais, para os países africanos cresceu cinco por cento e chegou aos 4,8 triliões de kwanzas (50 mil milhões de dólares) em 2012.

Pela primeira vez, em 2012, os países em desenvolvimento receberam mais IED do que os países desenvolvidos, que se encontram
afectados por uma queda dramática de 32 por cento nos investimentos internacionais. A desaceleração global também não poupa a Ásia Oriental e Sudeste bem como a América Latina, respectivamente, com quedas de cinco por cento e dois por cento.

Fluxos financeiros
Segundo o referido relatório, África é a única região do mundo onde os fluxos financeiros para investimento aumentaram,com uma evolução de 4,5 triliões de kwanzas (47 mil milhões de dólares) em 2011 para 4,8 triliões de kwanzas (50 mil milhões de dólares) em 2012. Em comparação, para 99,5 triliões de kwanzas (1,35 triliões de dólares) de IED mundial,o continente, no entanto, continua a ser um actor secundário no plano global, uma vez que apenas 3,7 por cento do IED mundial foi para aqui canalizado.

Além disso, as saídas de IED dos países africanos quase triplicou em 2012, atingindo um recorde de 1,3 trilião de kwanRelatório
da ONU destaca os ganhos registados no ano passado principalmente na indústria extractiva e transformadora medida que tem contribuído para o aumento do poder de compra Investimento estrangeiro cresce em África arquivo/jezas (14 mil milhões de dólares) aumentando em todas as partes do continente.

Indústria extractiva
Para o Cnuced, o sector da indústria extractiva, mormente dos recursos naturais, continua a ser o principal centro de atracção dos investimentos estrangeiros directos em África. Apesar disso, a indústria transformadora e dos serviços começa lentamente a ganhar terreno, sobretudo porque aumentou o poder de compra de uma classe média emergente em todo o continente. Assim, entre 2008 e 2012, a participação dos sectores de consumo relacionados com o valor total de projectos de investimento nestes sectores passou de sete por cento para 23 por cento.

No Top 10 dos receptores de IED em África em 2012, segundo dados publicados no relatório do Cnuced encontramos a Nigéria com 673 mil milhões de kwanzas (7 mil milhões de dólares), a África do Sul com 519 mil milhões de kwanzas (5,4 mil milhões de dólares) e Moçambique com 500 mil milhões de kwanzas (5,2 mil milhões de dólares).

Situação angolana
Em relação a Angola, segundo dados avançados pela sua presidente,Maria Luísa Abrantes, a Agência Nacional para o Investimento
Privado (ANIP) aprovou projectos de investimento avaliadosem 365 mil milhões de kwanzas (3,8 mil milhões de dólares). Sem precisar o número, a PCA da Anip indicou no começo do ano que os projectos aprovados, de Junho de 2011 a Dezembro de 2012, reduziram, comparativamente aos anos que antecederam a entrada em vigor da nova lei de investimento privado.

Sub-regiões
Os fluxos e os tipos de IED têm oscilado muito em diferentes regiões do continente. No Norte da África, os investidores internacionais
recuperaram a confiança depois de um período de declínio, devido à turbulênciapolítica de 2011. Os Emiratos Árabes anunciaram a capitalização da banca egípcia com cerca de 288 mil milhões de kwanzas (3 mil milhões de dólares).

Este ajuste é explicado em grande parte pela reversão da situação no Egipto, onde, depois de uma retirada dramática em 2011, o investimento dá sinais de retorno. O mesmo fenómeno se passa na Tunísia, onde o aumento foi de 60 por cento para 183 mil milhões de kwanzas (1,9 mil milhões de dólares). Em Marrocos, os fluxos de IED aumentaram 10 por cento enquanto na Argélia houve uma queda de 42 por cento, com, respectivamente, 269 mil milhões de kwanzas (2,8 mil milhões de dólares) e 144 mil milhões de kwanzas (1,5 mil milhões de dólares).

A recente descoberta de novos campos de gás na Tanzânia e novos campos de petróleo no Uganda têm atraído investimentos
adicionais na África Oriental. Os fluxos de IED na região aumentaram de 442 mil milhões de kwanzas (4,6 mil milhões de dólares) em 2011 para 606 mil milhões de kwanzas (6,3 mil milhões de dólares) em 2012.

No entanto, na África do Sul, os fluxos de IED registaram uma queda de 836 mil milhões de kwanzas (8,7 mil milhões de dólares)
em 2011 para 519 mil milhões de kwanzas (5,4 mil milhões de dólares) em 2012, sendo agora ultrapassada pela Nigéria. Por exemplo, os investimentos em Moçambique duplicaram, pois, os investidores estão a ser fortemente atraídos pelas enormes jazidas de gás no mar.

Por seu turno, os fluxos de IED para a África Ocidental diminuíram de cinco por cento do valor de 1,6 triliões de kwanazas (16,8 mil milhões dólares). Essa queda, em grande parte, deve-se ao declínio de 21 por cento na Nigéria, que continua a ser o maior receptor de IED no continente com 673 mil milhões de kwanazas (7 mil milhões de dólares), mas sofre com o clima de incerteza política e da desaceleração económica global.

A Mauritânia, com seus interesses mineiros, dobrou fluxos de IED para 15 mil milhões de kwanzas (1,2 mil milhões de dólares).
Boas notícias também para a Côte d’Ivoire, que tornou-se novamente atraente, com um aumento de 67 por cento no seu IED em 2011. Na África Central, os fluxos de IED atingiram 962 mil milhões de kwanzas (10 mil milhões de dólares). Os recursos naturais, incluindo o desenvolvimento das minas de cobre e cobalto em Tenke Fungurume, na RDC têm mobilizado investimentos significativos. O país atraiu 317 mil milhões de kwanazas (3,3 mil milhões de dólares) contra 163 em 2011.

Investidores
Para o Cnuced, a Malásia é surpreendentemente o primeiro grande investidor em África entre os países em desenvolvimento. Presente nas Maurícias e no agro-negócio nas zonas Oriental e Ocidental do continente, o país detém 1,8 triliões de kwanazas (19 mil milhões de dólares) americanos de stock de IED. Ele está à frente da África do Sul e seus 1,7 triliões de kwanzas (18 mil milhões de dólares),espalhados por suas empresas líderes nas áreas de distribuição, saúde e mineração. A China está em terceiro lugar, com 1,5 triliões de kwanzas (16 mil milhões dólares), seguida pela Índia, com 1,3 triliões de kwanazas (14 mil milhões de dólares).

Nomeação
O ex-ministro queniano do Comércio, Mushisa Kituyi é o novo director-geral da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento, Cnuced. Ele tomará posse em Setembro para um mandato de quatro anos.