A pressão pela redução de emissões de gases do efeito estufa em todo o mundo tem impulsionado as siderúrgicas a buscarem soluções que consigam reduzir os impactos da produção industrial no meio ambiente, sem perda de competitividade.
No Japão, onde as metas de redução de emissões estão entre as mais audaciosas do planeta, as empresas estão mais perto de anular as emissões deste poluente na produção do aço, graças a uma série de tecnologias, já em operação, segundo Koji Saito, líder de pesquisa e desenvolvimento da Nippon Steel Corporation (NSC).
Durante uma conferência sobre “Desafios da indústria siderúrgica e de mineração”, realizada há dias no Brasil, o especialista da maior siderúrgica nipónica citou algumas inovações que permitem às centrais do seu país reduzir drasticamente emissões de CO2 (Dióxido de Carbono).
Entre elas, citou um processo que permite a utilização de resíduos plásticos como insumo para adição na câmara do alto-forno. Outra técnica que se destaca é a RHF (Rotary Hearth Furnace), que é um processo de redução directa em forno rotativo. Com essa solução, é possível recuperar metais valiosos, como o zinco do pó produzido durante o processo de fabricação de aço, além de diminuir o consumo de agentes redutores, como o coque.
Para Koji Saito, o desenvolvimento tecnológico é a chave para solucionar a necessidade de reduzir as emissões globais de gás carbónico. No Japão, a redução de emissões de gases do efeito estufa são uma questão de Estado e sectorial.
Em 2007, o Governo criou a iniciativa Cool Earth 50, para incentivar o uso de tecnologias economizadoras de energia e compatibilizar protecção ambiental e crescimento económico. Em complemento a isso, foi criado o Course 50 (CO2 Ultimate Reduction in Steelmaking Process by Innovative Technology for Cool Earth 50).
Reunindo as cinco maiores centrais integradas do país, o Course 50 trabalha para reduzir as emissões dos altos-fornos japoneses em pelo menos 30%, até 2030. “Trata-se do primeiro passo importante, para chegar ao aço zero carbono”, afirma o pesquisador da NSC.
Além de soluções para reaproveitar materiais, o Japão aposta na utilização de gás hidrogénio no processo de redução directa como a principal medida capaz de impactar positivamente as emissões de gases do efeito estufa na siderurgia. Diferente de outros materiais combustíveis, o hidrogénio, quando queimado, produz basicamente vapor de água.
Koji Saito explicou que os processos convencionais de fabricação de aço, baseados em alto-forno, usam gás CO para remover o oxigénio do minério de ferro. Como o gás CO tem um tamanho molecular maior, é difícil as moléculas penetrarem no minério de ferro. Por outro lado, o gás H2, com um tamanho molecular muito menor, tem uma taxa de penetração maior no minério de ferro, agregando mais eficiência.