Aos 51 anos de idade, George Weah continua a fazer história. Porém, agora não há relação nenhuma com o futebol, mas sim com a política. Na primeira eleição presidencial democrática da Libéria em 73 anos, o ex-atacante tornou-se o primeiro jogador de futebol a assumir o cargo de presidente de uma nação.
As eleições começaram na terça-feira, mas o resultado saiu apenas na noite desta quarta (11). O ex-jogador recebeu a maioria dos votos e venceu a eleição, na sua terceira tentativa de se tornar mandatário da Libéria, sua terra de origem.
Como jogador, Weah se transferiu do Tonerre Yaoundé, time camaronês, ao Monaco no maior passo de sua carreira, ainda 1988. Em 1992, foi para o Paris Saint-Germain, e em 1995 para o Milan, onde ficou até o ano 2000. Ele ainda contou com passagens rápidas por Chelsea, Manchester City e Olympique de Marseille, antes de encerrar a carreira no Al-Jazira, dos Emirados Árabes, em 2003. Foi eleito Melhor Jogador do Mundo em 1995, tornando-se o primeiro
africano a realizar tal feito.
A Libéria, a mais antiga República de África, foi fundada há 170 anos. A Presidente Ellen Johnson Sirleaf esteve há mais de 10 anos à frente deste país, sendo a primeira mulher a ser eleita Presidente de uma nação africana. Foi em 2005 – ano em que a Libéria estava completamente destruída, depois de ter saído de uma sangrenta guerra civil que durara 14 anos e que matara mais de 250 mil pessoas.

O legado de Ellen Johnson
Em 2011, Ellen Johnson Sirleaf foi agraciada com o prémio Nobel da Paz pelo seu empenho em prol dos direitos e da segurança das mulheres no seu país. Foi isso também que lhe conferiu muita admiração a nível internacional. Em janeiro de 2018, deixará de ser presidente da Libéria. Ellen Johnson Sirleaf diz que não quer que a Constituição do país seja alterada, só para que ela possa manter-se no poder. Um gesto contra todos aqueles líderes africanos que se perpetuam no poder.
A poucos dias da eleição, a Presidente Sirleaf fez declarações que estão a causar polémica em todo o país. Ma Ellen, como é conhecida entre os liberianos, foi a primeira a admitir que o seu mandato não conseguiu uma representação significativa das mulheres na política.
Em entrevista à CNN, a Presidente afirmou que o seu Governo não trabalhou duro o suficiente para conquistar a igualdade de géneros. “Isso me entristece, porque as pessoas esperavam que o meu Governo quebrasse o tecto de vidro da África”, lamentou. O seu maior legado é a paz e também a estabilidade. É por isso que ela vai ser recordada. Entretanto, é certo que ela goza de mais admiração no estrangeiro do que na própria Libéria. E há que dizer que os problemas da desigualdade social e da pobreza continuam prementes no país, chega aser deprimente”, argumenta.
“Ela tentou resolver alguns dos problemas, mas muito ficou por fazer. O perigo da Libéria cair na violência continua real. Mas Sirleaf conseguiu, sem dúvida, dar um certo impulso à Libéria, com a ajuda da comunidade internacional. A ONU está prestes a terminar a sua missão no país. Também é certo que o governo de Sirleaf foi repetidamente acusado de corrupção e nepotismo, porque dois dos seus filhos receberam postos no banco central do país. Isso contribuiu para uma certa corrosão da confiança que os liberianos depositavam nela, como presidente”, explica o analista.