O endividamento público interno em Moçambique tem atingido níveis cada vez mais insustentáveis. A mesma é contraída com recurso a Bilhetes do Tesouro, Obrigações do Tesouro e os chamados adiantamentos do Banco Central.
O stock actual desta dívida chega aos 122.2 bilhões de meticais, um agravamento em cerca de 2.2 bilhões de meticais. Uma deterioração, que no entanto, não toma em consideração outros factores da dívida, tais como contratos mútuos e de locação financeira, indica o Banco de Moçambique.
Sobre as perspectivas macroeconómicas, o Banco Central prevê um resfriamento do crescimento económico este ano, devido ao impacto do ciclone IDAI que assolou a região centro do país, em Março.

Manter a taxa de juros
O Comité de Política Monetária (CPMO), o Banco de Moçambique decidiu manter a taxa de juros de referência, em 14,25 por cento.
As taxas da Facilidade Permanente de Depósitos (FPD) e da Facilidade Permanente de Cedência (FPC) em 11,25 e 17,25, respectivamente, bem como os coeficientes de Reservas Obrigatórias (RO) para os passivos em moeda nacional e em moeda estrangeira em 14 e 36 por cento, respectivamente.
A decisão é fundamentada pelo facto de as perspectivas actuais de médio prazo apontarem para um “ligeiro agravamento das projecções de inflação para o final do ano”, sem no entanto, comprometerem o objectivo de estabilidade macroeconómica.
Essa ligeira aceleração do custo de vida, segundo o Banco Central, resulta principalmente do choque de oferta causado pelos desastres naturais, que têm assolado Moçambique nos últimos tempos, conjugado com as tendências para a depreciação do metical no mercado cambial doméstico, e para o aumento do preço do combustível no mercado internacional.
Adicionalmente, dado que as projecções da inflação e do crescimento anual do Produto Interno Bruto (PIB) real para 2019 que estão sujeitas aos impactos destas intempéries, o CPMO, ponderando os riscos e as incertezas subjacentes, considerou “oportuno manter as taxas de juro”.
Entretanto, e apesar desse agravamento do custo de vida, o Banco de Moçambique acreditada que a inflação manter-se-á em um dígito.
Numa altura em que foi já divulgado o resultado do IV Recenseamento Geral da População e Habitação de Moçambique, realizado em Agosto de 2017, que indica que existe 27.909.798 habitantes.