Ngozi Okonjo Iweala, ministro das Finanças da Nigéria foi a pessoa a quem coube o anúncio ao mundo, no passado dia 6 de Abril de que a Nigéria se tornara oficialmente na maior economia do continente africano.

O processo começou há sensivelmente dois anos com a reformulação dos critérios contabilísticos do país no Gabinete Nacional de Estatísticas. Em consequência, o produto interno bruto (PIB) da Nigéria passou para 49,6 triliões de kwanzas, superando assim a toda poderosa África do Sul.

“O nosso país tornou-se a primeira economia africana em termos do PIB e a 26ª no mundo”, declarou o governante nigeriano que não escondeu as próximas aspirações do novo gigante africano. “A Nigéria poderá figurar entre as 15 economias mais importantes do planeta em 2050”.

Essa perspectiva eufórica de Abuja foi também confirmada pela agência de rating internacional Moody’s. Por enquanto, a Nigéria superou, com esta sua revisão do PIB alguns países europeus como a Bélgica, Polónia e a asiática Tailândia.

Segunda ainda a Moody’s, uma outra consequência natural desse momento económico da Nigéria é a sua entrada nos próximos tempos para o clube do G-20, o grupo das grandes potências mundiais onde Pretória era até aqui o único representante africano.

A pergunta que muitos analistas colocam é o que explica essa vantagem e o crescimento nigeriano. A resposta é vista numa qualquer viagem ao país que desde o final da década de noventa promove uma reformulação na sua economia que tem vindo a dar resultados.

O petróleo deixou de ser a principal e única fonte de recursos. Assim, emergiram outros sectores económicos, principalmente dos serviços como é o caso das telecomunicações que hoje representam 8 por cento do PIB, ou ainda a indústria com 7.

A grande vantagem destes sectores é a sua capacidade para gerar empregos. Ao mesmo tempo, a indústria cinematográfica do país, ou seja, Nollywood hoje representa 1,4 por cento do PIB, o que é um salto significativo.

No plano macroeconómico, e fruto do investimento interno em outros sectores geradores de renda, o nível de endividamento baixou espectacularmente para menos de 10 por cento da riqueza nacional. Graças a esse indicador, nos últimos dois anos, a Nigéria tornou-se num dos principais destinos para os investidores internacionais.

PIB nigeriano

Segundo os especialistas, o cálculo do PIB real é feito com base na actividade económica de um ano de referência. No caso nigeriano, esse cálculo era feito apenas com base na referência do ano de 1990. Obviamente, apresentava várias distorções uma vez que houve uma transformação do modelo económico.

Chukwudozie Ezigbalike, da Comissão Económica das Nações Unidas para África esclarece que “até então, a Nigéria funcionava com a referência de 1990.