Dois anos depois da sua primeira incursão nos mercados financeiros internacionais, o maior produtor de petróleo na África subsahariana concluiu com sucesso uma emissão de obrigações no valor de mil milhões de dólares.

Esta soma, segundo anunciaram as autoridades da Nigéria,destina-se a financiar projectos de infra-estruturas no sector da energia. O Governo nigeriano pretende, particularmente, estimular a produção de electricidade num país onde a demanda é quase o dobro da produção e onde os cortes de energia são uma ocorrência diária em todas as cidades.

Esta emissão esteve dividida em dois empréstimos de 500 milhões; nos primeiros 5 anos, a uma taxa de 5,375 e no segundo
a uma de 6,625 por cento, com maturidades de 10 anos, de acordo com o IFR, (serviço de análise financeira da agência Reuters). Essas taxas estão também acima das que foram praticadas durante a última emissão de “bonds” da Nigéria, em Janeiro de 2011. O apetite dos investidores pela dívida nigeriana tem crescido e desta vez houve uma demanda quatro vezes superior. “Isso reflecte a confiança dos mercados na economia da Nigéria”, disse Ngozi Okonjo-Iweala, ministra das Finanças da Nigéria, durante uma teleconferência com a imprensa financeira internacional.

“Este sucesso é ainda mais notável porque os mercados estão turbulentos nos dias que correm”, observou a ministra.

Após um período de taxas de juro historicamente baixas, que tinha visto alguns países africanos emprestarem mais barato do que a Espanha ePortugal, o contexto agora é mais difícil. A procura global caiu na sequência da decisão no final de Abril da Reserva Federal dos EUA (FED) de reduzir o ritmo de seus 85.000 milhões dólares na compra de títulos mensais, que tinha muito interesse dos investidores para procurar comprar as dividas dos países emergentes.

Frequentemente, estes países cobrem o seu défice com estes títulos, apesar dos riscos que esta operaçao acarreta.