O empresário Américo Amorim, que morreu na passada quinta-feira, 13, e cumpriria 83 anos nesta sexta-feira, 21, é mais do que uma história feliz de enriquecimento, mais do que um exemplo acabado do “self made man” português ou que uma biografia personalizada do capitalismo de base industrial do último meio século. É também símbolo de um tempo e intérprete privilegiado
da transformação do país.
Considerado o homem mais rico do país – 385.ª mais rico do mundo, com uma fortuna avaliada em 3700 milhões de euros em 2016, de acordo com a revista Forbes, foi uma espécie de aventureiro que soube aproveitar o fim do condicionamento industrial, a liberalização económica e a Europa para criar o seu império económico e financeiro.
Nasceu a 21 de Julho de 1934 em Mozelos, Santa Maria da Feira, Américo Ferreira de Amorim, de seu nome completo, cedo começou a ajudar a família nas tarefas agrícolas. Nas férias, labutava na fábrica de rolhas de cortiça fundada pelo avô. Aos 19 anos já era órfão de pai e mãe, tendo recebido de herança 2,5 por cento da Amorim & Irmãos (os outros sete irmãos ficaram cada um com igual participação). Abandona então o Curso Comercial e entra nos quadros da fábrica. Primeiro ordenado mensal: 500 escudos (cerca de 2,5 euros). De olhos bem abertos e os bolsos cheios de amostras de cortiça, percorre o Mundo. Como “quem tem uma origem modesta está bem em qualquer lado”, aprende facilmente línguas, modos de estar e de ganhar negócios, métodos de penetração nos mercados e atracção de clientes. A internacionalização do grupo arrancava agora pelas mãos e a visão estratégica de um jovem Amorim.
Com os trabalhadores do seu lado e um currículo de proximidade aos países comunistas, Amorim não só conseguiu manter o seu império corticeiro como até, aproveitando os preços de saldo da altura, comprar terras no Alentejo para alimentar as suas fábricas. Nos anos 70 e 80 reforça o império industrial através da compra de várias empresas, aquém e além-fronteiras.
“O meu descanso é o trabalho, o meu prazer é investir. Se fosse possível fazia uma fábrica todos os dias”, dizia.