Para uma apresentação pública internacional do projecto Inga III, o ministro congolês da Energia, Bruno Kapandji, esteve recentemente em Paris onde esclareceu que a nova barragem terá uma capacidade estimada em 4.800 megawatts (mw). Esta é a primeira fase do Grande Inga, um outro projecto para o futuro, que, uma vez realizado, será o maior complexo hidroeléctrico do mundo, capaz de produzir cerca de 40 mil mw.

O Ministério congolês da Energia anunciou também os mecanismos de financiamento da barragem que pretende ser um projecto de integração regional principalmente a nível da SADC para a qual vários países como Angola e a África do Sul já manifestaram completo interesse.

As partes interessadas no projecto para desenvolver o Inga III estiveram representadas no encontro de Paris, principalmente instituições financeiras como o Banco Mundial, o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), o Banco Europeu de Investimento, o Banco de Desenvolvimento da África Austral e a Agência Francesa de Desenvolvimento, embora se admita que outros financiadores possam alavancar também o projecto.

O Inga III será construído no mesmo local onde se encontram as duas anteriores barragens existentes no rio Congo (RDC ocidental), construídas pelo então Presidente Mobutu, respectivamente em 1971 e 1982. O Inga I tinha uma capacidade de 351 mw, no início, e o II de 1.424. Porém, hoje, devido à falta de manutenção, cada uma das duas represas operadas pela Empresa Nacional de Electricidade (SNEL) não produz mais de 20 por cento da sua capacidade original.

Segundo a imprensa francesa, a necessidade total de financiamento do Inga III está estimada em 12 mil milhões de dólares, dos quais 8,5 mil milhões correspondem aos custos de construção da barragem, cujas obras devem demorar seis anos. Como primeiro passo, o Banco Mundial e o BAD estão a considerar aprovar uma assistência técnica de 63 milhões de dólares para a preparação do projecto.

A África do Sul, que é um parceiro e o principal cliente da barragem, foi dos poucos países africanos que se fez presente na reunião de Paris, ao lado de outros potenciais candidatos para o projecto como chineses, espanhóis, sul-coreanos e canadianos. Aliás, além do optimism do ministro Bruno Kapanji, também os sul-africanos se mostraram confiantes em relação ao êxito do projecto para o qual assumiram já o compromisso de obter 2.500 dos 4.800 mw que o Inga III deve produzir em 2021, tornando-se no maior comprador da futura barragem. “Afirmamos o nosso compromisso com o projecto e já provisionámos esta compra no nosso plano de orçamento”, diz Garrith Bezuidenhoudt, chefe de gabinete do Departamento sul-africano de Energia.


O abandono da gigante da mineração australiana BHP Billiton, em 2012, apostando na construção de uma refinaria de alumínio na Guiné (Conakry), inviabilizou durante alguns meses a evolução do projecto.