O crescimento do comércio, a nível mundial deverá ser mais lento do que o esperado em 2018 e 2019, embora os efeitos económicos directos da “guerra” comercial que eclodiu este ano ainda sejam reduzidos, segundo o director-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevedo, em um comunicado.
O organismo prevê que o comércio mundial de bens cresça 3,9 por cento este ano, abaixo dos 4,4 previstos em Abril. No ano que vem espera-se um crescimento de 3,7 por cento, uma quebra na previsão anterior que era de 4,0.
“Em geral, os riscos contemplados são consideráveis e podem piorar consideravelmente as previsões”, afirma a OMC em um comunicado.
Ainda assim, a organização frisa que tinha sido já feito um alerta para alguns dos riscos negativos que acabaram por materializar-se.
As previsões actualizadas têm como base um crescimento esperado do PIB real mundial de 3,1 por cento em 2018 e 2,9 em 2019.
“Apesar do crescimento do comércio continuar sólido, esta redução das perspectivas reflecte o aumento das tensões entre sócios comerciais importantes”, explicou.

Guerra comercial
Estados Unidos e China protagonizam há alguns meses uma guerra comercial com base em tarifas de importação.
O presidente dos Estados Unidos de América, Donald Trump, “lançou uma guerra comercial” impondo taxas sobre as importações da China, mas também às de alumínio e aço, de qualquer parte do mundo, União Europeia incluída, para, diz Donald Trump, proteger os empregos nos EUA.
De modo paralelo, os países europeus e outras grandes potências económicas também estão preocupadas com o risco de uma guerra comercial generalizada.
Segundo a OMC, os efeitos económicos directos das tarifas são “limitados” até agora, mas a incerteza que geram “poderia já estar provocando consequências com uma redução dos gastos em investimentos”.
“O endurecimento da política monetária nas economias desenvolvidas também contribui para a volatilidade das taxas de câmbio e pode prosseguir com este efeito nos próximos meses”, destacou a organização com sede em Genebra.