O secretário-geral da ONU, António Guterres, diz ser necessário uma mudança rápida e profunda na maneira de como fazem negócios, “como geramos energia, como construímos cidades, como nos movimentamos e como alimentamos o mundo”.
António Guterres afirmou, no discurso de abertura da Cimeira do Clima que junta em Madrid (Espanha) representantes de 195 países e cerca de 25 mil pessoas, desde decisores políticos a ambientalistas que pretendem traçar novas metas para o Acordo de Paris, que “a única maneira de acabar com o aquecimento global é limitar os combustíveis fósseis”.
“Se não mudarmos urgentemente o nosso modo de vida, comprometemos a própria vida”, disse.
Guterres considera que é claro o roteiro estabelecido pela comunidade científica, “para limitar o aumento da temperatura global aos 1,5º necessários até ao fim do século, precisamos de reduzir as emissões em 45 por cento em relação aos níveis de 2010 até 2030 e alcançar a neutralidade climática em 2050”.
“Precisamos de reduzir as emissões em 7,6 por cento em cada ano para atingir as nossas metas. É imperativo que os Governos não honrem apenas as suas contribuições nacionais sob o Acordo de Paris, mas aumentem substancialmente as suas ambições”, destacou.
Segundo Guterres, “mesmo que os compromissos de Paris sejam totalmente cumpridos, não seria suficiente. Infelizmente muitos países fazem isso. E os resultados estão à vista”.
“Nas tendências actuais, estamos a olhar para o aquecimento global entre 3,4 a 3,9 graus Celsius até ao final do século. O impacto em toda a vida do planeta- incluindo a nossa – será catastrófico”, alertou.
António Guterres frisou que “as tarefas são muitas, os nossos prazos são apertados e todas as questões são importantes”.
Para o secretário-geral da ONU, as decisões importantes têm de ser tomadas agora. “Os dados mais recentes do clima revelam que alcançámos limites impensáveis. Os sinais não podem ser ignorados, os últimos cinco anos foram os mais quentes”, revelou.