O Programa Alimentar Mundial (PAM) considerou, em Maputo, que Moçambique está bem encaminhado para erradicar a fome até 2030, mas enfrenta o desafio de tirar um quarto da população da insegurança alimentar. ”.
“Pode se considerar que o país caminha rumo à fome zero”, declarou, em conferência de imprensa, a representante do PAM em Moçambique, Karin Manente, falando por ocasião do Dia Mundial da Alimentação.
O país, continuou, conseguiu reduzir para metade o número da população em situação de fome, cumprindo uma das metas inscritas nos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio.
“No âmbito dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, a meta de Moçambique era diminuir a percentagem da população em situação de fome para metade, estava em 56 por cento, em 2003, e agora está em 24 por cento”, declarou a representante daquela agência da ONU.
No âmbito dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, Moçambique está empenhado em alcançar a meta de fome zero, até 2030, acrescentou Karin Manente.
Apesar dos progressos, a representante afirmou que um quarto da população moçambicana ainda vive numa situação de insegurança alimentar crónica e mais de 40 por cento de crianças com menos de cinco anos sofre de desnutrição crónica.
“São múltiplos os factores que agravam a situação de insegurança alimentar e nutricional para um nível sério: pobreza generalizada, VIH, oportunidades de emprego no campo limitadas e choques recorrentes causados pelas mudanças climáticas”, apontou.
Karin Manente adiantou que as práticas agrícolas de baixa produtividade e a falta de acesso aos mercados por parte dos produtores também exacerbam a situação da fome em Moçambique.
As taxas de desnutrição são especialmente elevadas nas zonas rurais, onde as dietas não são diversificadas e são pobres em nutrientes essenciais.
Para o combate à insegurança alimentar, será necessário reforçar os investimentos nas zonas rurais, incidindo numa maior capacitação dos pequenos agricultores, sobretudo mulheres.
“O Plano Estratégico do PAM para Moçambique tem a visão de contribuir para as soluções locais e apoiar a capacidade do Governo de Moçambique de erradicar a fome e a desnutrição crónica até 2030”, destacou Karin Manente.