Ainda é muito cedo para a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) discutir cortes mais profundos na produção de petróleo, apesar da queda nos preços da matéria-prima, disse o secretário-geral da organização, Mohammed Barkindo.
A OPEP está a contar com a Rússia, para ajudar a aliviar as tensões entre o Irão e Arábia Saudita, a fim de ajudar o mercado global de petróleo a se estabilizar, disse Mohammed Barkindo, segundo a agência russa de notícias Tass.

Impostos petrolíferos
O ministro de Energia da Rússia, Alexander Novak, disse à Reuters que o seu país deveria reformar os impostos sobre o petróleo, para possibilitar a entrada em produção de cerca de 10 mil milhões de toneladas em reservas actualmente inviáveis economicamente e para elevar as margens de produtores, de modo que possam competir melhor com rivais como empresas de “shale” dos Estados Unidos.
Segundo Alexander Novak, a produção de petróleo da Rússia, que tem reservas suficientes para sustentar os níveis actuais de oferta por mais de 50 anos, pode cair, se o sistema de impostos seguir sem alterações. “Nós temos os maiores impostos sobre petróleo no mundo. Na média, eles respondem por entre 68 e 70% das receitas. Mas, no caso dos campos no Oeste siberiano, sem isenções fiscais, por exemplo, eles chegam a 85%”, disse.
A Rússia foi, por tempo, o maior produtor de petróleo do mundo, até ser ultrapassada, no ano passado, pelos Estados Unidos, onde a produção disparou, devido a um “boom” da indústria de petróleo “shale”.
O custo de produção na Rússia é maior que na Arábia Saudita (a maior exportadora global), mas menor que nos EUA, graças à fraqueza da moeda local, às reservas de mais fácil extracção e serviços mais baratos. A produção russa tem repetidamente surpreendido, positivamente, na última década, apesar de previsões de um declínio nos campos maduros do Oeste siberiano. Alexander Novak garantiu que essa tendência pode acabar em breve.
“Nós temos grandes reservas, mas boa parte é inviável economicamente sob o actual regime de impostos. O actual regime de impostos não nos permite aumentar a produção significativamente”, afirmou.
Assim como outros produtores, a Rússia depende fortemente das receitas geradas pelo petróleo e gás. O Ministério das Finanças tem repetidamente se oposto à redução de impostos sobre a indústria petrolífera. “Se nós não mudarmos o regime de impostos e não incentivarmos o desenvolvimento de novos campos no Oeste siberiano e no Árctico, nós não seremos capazes de manter o actual nível de produção por muitos anos mais”, disse Alexander Novak.
O ministro afirmou que os EUA podem competir com produtores, graças ao crédito barato e aos impostos aplicados sobre os lucros das empresas. Na Rússia, os impostos sobre o petróleo são baseados em receitas e produção. Novak disse que está a propor ampliar o uso de impostos sobre lucros, em vez de impostos sobre extracção mineral, baseados nos volumes de produção e não no lucro.