Segundo os indicadores do Fundo Monetário Internacional (FMI), nos últimos anos, a África subsahariana conhece um crescimento médio avaliado em 6,1 contra os 3,7 por cento da média mundial. Para a maioria dos países dessa região, essa média de crescimento deve-se fundamentalmente à conjuntura internacional, graças ao aumento do preço de algumas commodities no mercado internacional, como o petróleo e o gás.

Existem, apesar disso, algumas excepções: uma delas é sem dúvidas o caso ruandês. Nos últimos quatro anos, a média de crescimento do seu PIB esteve a rondar os 8% graças ao aumento da sua produtividade em sectores como a agricultura, turismo, investimento público nas infra-estruturas e o imobiliário, para além das tecnologias de informação. Apesar de ter apenas uma população de 12 milhões de habitantes, o sector da distribuição, segundo a consultora internacional AT Kearney é dos mais competitivos e estruturados do continente africano.

Incontestavelmente, uma das áreas onde mais se nota o crescimento da economia ruandesa é a das IT. Segundo o seu ministro para a Juventude, Tecnologias de Informação e Comunicação, Jean-Philbert Nsenguimana, a visão estratégica do governo passa por uma aposta forte no conhecimento. “É para lá que nós pretendemos caminhar, passar de uma economia agrícola à do conhecimento”.
O que é uma aposta do governo tem o apoio de largos sectores da sociedade ruandesa, seja académicos, seja empresários e da juventude. O modelo ruandês tem sido vivamente apoiado pois o Governo de Paul Kagame, há alguns anos, lançou um programa de acção económica urgente face ao que se passara em 1994. O país normalizou-se e regista hoje alguns índices interessantes de crescimento e estabilidade dos seus níveis de inflação.

Nos últimos anos, entretanto, as acusações de envolvimento e apoio à instabilidade no Leste da República Democrática do Congo têm vindo a condicionar severamente os apoios que o país recebe da comunidade internacional. Fruto da sua escassez de recursos minerais, o Ruanda é um dos países africanos que subsiste à custa dos apoios que recebe dos doadores. Entretanto, o Banco Mundial anunciou no ano passado uma redução do seu apoio e as perspectivas do país começam a estar em perigo. Por isso, o Ruanda passou à ofensiva e procura agora captar o interesse dos investidores. Há um ano, isto é, em Abril de 2013, foi um dos poucos países africanos a conseguir um empréstimo compulsório de 290 milhões de euros nos mercados internacionais.

As medidas macroeconómicas do Ruanda têm dado os seus frutos no plano social. Assim, houve um aumento da esperança de vida, de 27 anos em 1993 para 63 anos em 2014; uma redução dos níveis de pobreza que agora se situam em 45 por cento da população; está em curso um programa de alfabetização, 99 de por cento das crianças em idade escolar obrigatória estão a estudar e; e melhoraram drasticamente as condições médico-sanitárias em todo o país. Em face destas realizações, prevê-se que as Nações Unidas venham a considerar o Ruanda como um dos poucos países que cumpriram na quase totalidade os objectivos de desenvolvimento do milénio.