A empresa Portucel Moçambique, subsidiária do grupo português de celulose e pasta de papel, plantou até o momento 13,2 mil hectares de clones de eucaliptos, o que se traduz numa ocupação de quatro por cento dos 356 mil hectares estipulados no respectivo Direito de Uso e Aproveitamento de Terra (DUAT) nas províncias centrais de Manica e Zambézia.
O trabalho traduz-se num investimento de cerca de 135 milhões de dólares norte-americanos, desde 2015 a esta parte. Deste valor, pelo menos cinco milhões de dólares foram investidos na área do desenvolvimento social.
Os dados foram revelados, em Maputo, pelo Presidente da Comissão Executiva da empresa, João Lé, durante o lançamento público do Conselho Consultivo da Portucel Moçambique (CCP), um modelo de articulação entre as organizações da sociedade civil, sector privado e o governo.
Para Lé, estes dados revelam uma evolução que resulta do contributo das comunidades, governo e sociedade civil.
“Sabemos que não somos perfeitos, mas temos feito um esforço para trabalharmos como deve ser e fazermos as coisas como devem ser”, vincou a fonte, em relação à evolução do projecto da empresa nas suas diversas variantes durante o ano e meio de implementação.
Muitos dos resultados alcançados, “além de bem visíveis e imensuráveis”, já começam a ter um impacto socioeconómico relevante nas regiões onde o projecto é implementado.
O CCP tem o papel de monitorar e aconselhar a empresa sobre o impacto da sua actuação nas esferas sociais, culturais, ambientais e dos direitos humanos das comunidades nas áreas abrangidas pelo projecto florestal.
A criação do CCP está inserida no contexto do Plano de Desenvolvimento Sustentável da Portucel Moçambique (PDSP), por se perceber que o sucesso do mesmo exige envolvimento e o direito à participação das partes envolvidas na monitoria e avaliação do referido plano.
“Chegamos à conclusão de que deve haver uma plataforma onde as organizações da sociedade civil, o governo e a empresa Portucel sentam-se à mesma mesa para poderem dialogar. Dialogar não significa, toda a hora, dizermos que temos consensos. Por vezes, vamos divergir, mas também vamos ter consensos. Mas o mais importante é que estamos na mesma mesa para dialogar”, disse Amade Sucá, da ActionAid Moçambique (AAMoc).
A Portucel Moçambique foi criada em 2009 pela The Navigator Company (antigo grupo Portucel) Soporcel. É uma empresa de direito moçambicano e é responsável pela instalação do maior projecto florestal integrado de produção de pasta de papel e energia do país. Em 2000 e 2011 a empresa recebeu duas autorizações do governo moçambicano que permitem a utilização de 356 mil hectares de terra por 50 anos renováveis.
O projecto florestal da Portucel Moçambique poderá criar sete mil postos de trabalho, constituindo, por conseguinte, um dos maiores negócios fora da indústria extractiva no país, até porque terá um impacto no crescimento do tecido empresarial e agrário.