O agravamento das “yields” em mercado secundário, fruto da tensão política e da possibilidade de queda do Governo, reduz a possibilidade de Portugal conseguir regressar aos mercados no próximo ano e cria a expectativa de que o país pode necessitar, à semelhança do que aconteceu com a Grécia, de um segundo programa de resgate.

Esta ideia foi defendida ontem pelos economistas do Bank of America Merrill Lynch numa nota a clientes, escrita quando a taxa de juro associada à dívida portuguesa estava em 7,824 por cento - cresceu entretanto até 8,1.

Os economistas Ruben Segura-Cayuela e Sphia Salim argumentam que nesse eventual segundo resgate poderia englobar o envolvimento dos credores privados num perdão de dívida.

A demissão de Gaspar e de Portas está hoje a fazer a bolsa portuguesa afundar em mais de 6 por cento e a atirar os juros da dívida pública a 10 anos para 8,1.

Após dois anos de resgate, a posição dos bancos mudou radicalmente. Desta feita, a mensagem é outra: cabe aos políticos encontrar soluções e resolver a crise instalada

Nos últimos dias, desde que Paulo Portas anunciou a sua demissão, os responsáveis do sector bancário só pedem uma coisa: rapidez no desbloquear do actual impasse político.

Grandes períodos de indefinição só vão prejudicar e deitar por terra todo o trabalho feito nos últimos dez anos. Um cenário de eleições antecipadas surge como o mais temido pela banca nacional.

Por outro lado, Guilherme d’Oliveira Martins, presidente do Tribunal de Contas, declarou que não se pronuncia directamente sobre a crise política.

Ainda assim, considerou que a actual situação política “não pode deixar de preocupar”, sobretudo devido à necessidade que o país tem de “criar condições de estabilidade e de confiança, designadamente nos mercados internacionais”.

“É indispensável criar todas as condições para cumprir o primeiro resgate e evitar um segundo”, disse o presidente do Tribunal de Contas, acrescentando que, apesar da crise política, há em Portugal um “sistema cautelar a funcionar “.