A capital do Gana, Accra, foi o palco escolhido pela Fundação Africana para a Inovação para a cerimónia deste ano do Prémio de Inovação para África. O evento, que vai já na sua 6ª edição, pretende divulgar e incentivar projetos inovadores capazes de solucionar alguns dos principais desafios do continente africano. Pretende, igualmente, incentivar os africanos a optarem por carreiras nas áreas da ciência, tecnologia e engenharia com o objetivo de contribuirem para o desenvolvimento sustentável de África.
Na edição deste ano de 2017, estiveram a concurso cerca de 2500 projetos de países de todo o continente africano. Em Accra, os participantes tiveram a oportunidade de trocar contactos e conhecimentos e vender as suas ideias, que chegaram de várias áreas.
Aly El-Shafei, tem 58 anos, e foi o vencedor deste ano. O engenheiro mecânico desenvolveu uma tecnologia que apoia a geração de energia. O projeto do egípcio pode aumentar a produção de energia em até 10 por cento, reduzindo as vibrações, o que, por sua vez, poderá fazer reduzir o custo de produção de energia no continente.
Em entrevista à DW, El-Shafei explica o impacto da sua inovação no continente africano. “Este é um dispositivo que é colocado nas máquinas que temos atualmente, mas também nas máquinas que iremos ter futuramente e que produzirão energia para África”, afirma o egípcio, acrescentando que o dinheiro do prémio irá ajudar com o “protótipo”.
Em segundo lugar ficou Philipa Makobore. A ugandesa de 38 anos desenvolveu um dispositivo médico que administra com precisão medicamentos, controlando a taxa de fluidos para salvar vidas de pacientes que precisam de terapia de infusão. Philipa Makobore explica que pretende, ainda este ano, iniciar os ensaios clínicos em adultos e em crianças pequenas. “Será nisto que gastaremos a maioria do dinheiro do prémio. Com base no “feedback” dos ensaios, iremos fazer a revisão da tecnologia”, acrescenta.
A completar o top 3 está Dougbeh-Chris Nyan, da Libéria, que desenvolveu também um teste de diagnóstico rápido que deteta e diferencia, pelo menos, três a sete infeções ao mesmo tempo num espaço de 10 a 40 minutos. “É rápido, acessível e barato”, afirma Nyan, acrescentando que o teste é portátil, facilitando o transporte para as zonas mais rurais.
Os vencedores da edição deste ano do Prémio de Inovação para África receberam prémios monetários para melhorar e comercializar os seus projetos. O primeiro prémio é de cem mil dólares norte-americanos (86,700 mil euros) e o segundo de 25 mil (21,7 mil euros). O terceiro prémio é especial e visa distinguir a inovação com maior impacto social. Foram ainda atribuídos ao terceiro classificado 25 mil dólares norte-americanos. Os restantes sete candidatos receberam
5000 dólares (4,3 mil euros).
A Fundação Africana para a Inovação pretende que esta iniciativa continue a incentivar os jovens africanos a desenvolver projetos inovadores.
Walter Fust, presidente da Fundação Africana para a Inovação, acredita que existe potencial. Na opinião deste responsável, “muito pode ser feito através da inovação”. “É por isso que temos como grande objetivo trabalhar na mobilização do espírito inovador dos povos africanos. Dar-lhes auto-estima para que realmente as pessoas com talento avancem com soluções
para o continente”, conclui.
Existe uma rede de contatos para estes vencedores e outros inovadores continuarem a desenvolver e melhorar os seus produtos. No entanto, ainda está para ser visto se os governos africanos também estão empenhados em priorizar este tipo de iniciativas, fornecendo o apoio necessário para que os cidadãos dos seus países se aventurarem na inovação.