Após anos de crescente cooperação económica focada na exploração dos recursos naturais, Pequim está actualmente a concentrar os seus esforços no fortalecimento dos laços militares e no financiamento de numerosos projectos de infra-estruturas nas mais diversas regiões.
A China chama-lhe a Nova Rota da Seda e a intenção é que o antigo Império do Meio passe a ser a sociedade de referência para um continente onde ainda está quase tudo por fazer. “Sempre que venho a África vejo o dinamismo do continente e as aspirações do seu povo para o desenvolvimento. Tenho grande confiança no futuro das relações China-África”, disse o presidente chinês, citado pelo jornal ‘El Pais’, na sua chegada ao Senegal no último fim-de-semana.
É a primeira etapa de uma viagem que o levará ao Ruanda, África do Sul e Ilhas Maurícias. É a quarta vez que Xi Jinping está no continente africano na qualidade de Chefe de Estado e a sua primeira viagem oficial após o início em Março de um segundo mandato.
A China é o primeiro parceiro comercial de África há pelo menos uma década, depois de destituir os Estados Unidos nessa posição. Além dos milhões investidos na exploração dos recursos naturais, especialmente minerais, o continente tornou-se o grande campo de testes para a construção de infra-estrutura com tecnologia e financiamento chineses.
O fenómeno tem-se acentuado nos últimos anos, coincidindo com a conclusão do projecto da Nova Rota da Seda, uma rede de infra-estrutura ambiciosa que pretende unir a China não só com a África, mas também com a Europa e o centro e sudeste da Ásia, através de portos, estradas e ferrovias.
A China financiou a construção ou reforma de mais de 6 mil quilómetros de ferrovias em países como Angola, Etiópia, Quénia, Nigéria, Sudão ou Djibuti. Embora o financiamento esteja especialmente centrado na África Oriental, a visita de Xi Jinping ao Senegal mostra a vontade de atrair os países do oeste para o interior da sua esfera de influência (numa região tradicionalmente sob influência francesa).
A China também tem interesse em chegar a Dakar, uma porta de saída para o Atlântico, onde poderá chegar uma via férrea desde o Djibuti, um país do outro lado do continente e com uma saída para o Oceano Índico.
No Ruanda, o segundo país a ser visitado pelo presidente chinês, está a ser construída uma linha férrea financiada por dinheiro chinês, que ligará sua capital, Kigali, a Mombaça, no Quénia, um projecto que facilitará o acesso do país ao mar.
Na África do Sul, o presidente chinês participará da décima cúpula dos BRICS. A viagem de Xi Jinping, disse o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros da China, Kong Xuanyou, citado pelo ‘El Pais’, é “uma importante acção diplomática da China em relação aos países em desenvolvimento, no contexto das profundas mudanças na situação internacional”.