O Presidente eleito da Argentina, Alberto Fernandez, anunciou que não quer os 11 mil milhões que faltam do empréstimo total de 57 mil milhões de dólares concedido em 2018 pelo Fundo Monetário Internacional.
“O que eu quero é deixar de pedir e que eles me deixem pagar”, disse Fernandez, que toma posse do cargo no próximo dia 10 de Dezembro.
“Estou com um grande problema e vou pedir mais 11 mil milhões”, questionou Fernandez, numa entrevista à emissora local Con Vos, referindo-se à grave crise económica que afecta a Argentina.
Alberto Fernandez (peronista de esquerda), que irá suceder a Mauricio Macri (centro-direita) na presidência, declarou que o seu objectivo é “relançar a economia para poder pagar e resolver o problema da dívida com bom-senso”.
O FMI suspendeu em Dezembro um desembolso de 5,4 mil milhões de dólares (cerca de 4,9 mil milhões de euros, à taxa de câmbio actual), depois de o Governo de Macri não ter cumprido determinadas metas, entre as quais as relativas à inflação.
A inflação deverá chegar aos 50 por cento no final do ano, de acordo com vário organismos internacionais.
A economia argentina está em recessão há 20 meses e o Presidente Macri teve de anunciar uma renegociação dos títulos
de dívida no mercado local.
Segundo o FMI, a actividade económica da Argentina deverá contrair-se em 3,1 por cento este ano.
Alberto Fernández, assegurou na passada terça-feira ao FMI que o país vai honrar com os compromissos em matéria de dívida, mas rejeitou
aplicar mais ajustes fiscais.
“Desenvolvemos um plano sustentável que nos vai permitir crescer e cumprir com as obrigações que a Argentina tem convosco e com o resto dos credores”, afirmou o peronista, numa conversa telefónica com a nova directora-geral do FMI, Kristalina Georgieva.
“Mas é meu dever antecipar que, na situação em que se encontra a economia argentina, é difícil proporcionar um ajuste maior. Não podemos fazer mais ajustes fiscais porque a situação é de uma complexidade enorme, o nível de ajustes na era Macri foi enorme”, disse.
O Governo liderado pelo Presidente cessante, Mauricio Macri, assinou no ano passado um acordo com o FMI para um empréstimo no total de 56.300 milhões de dólares (50.900 milhões de euros), dos quais já foram entregues 44.000 milhões.