A indústria brasileira entrou no terceiro trimestre com contracção, ainda que menos intensa que o esperado, pressionada pela fraqueza dos investimentos e evidenciando as incertezas para o sector a poucos meses da eleição presidencial.
Em Julho, a produção registou queda de 0,2 por cento sobre o mês anterior, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na terça-feira.
Foi o resultado mais fraco para Julho desde 2015 (-2,5 por cento), mas melhor que a expectativa em pesquisa da Reuters com economistas de recuo de 1 por cento.
Na comparação com o mesmo mês do ano passado, houve alta de 4 por cento, também acima da projecção de avanço de 2 por cento e o resultado mais forte para o mês desde 2010 (+9,4 por cento).
O único resultado positivo em Julho entre as categorias económicas e que evitou uma queda maior veio dos Bens Intermediários. Com peso de 55 a 60 por cento na pesquisa, esse grupo cresceu 1 por em Julho sobre o mês anterior.
Por outro lado, os dados do IBGE apontaram que os Bens de Capital, uma medida de investimento, contraíram 6,2 por cento no mês em relação a Junho.
A fabricação de Bens de consumo semi e não duráveis e de Bens de consumo duráveis também teve contracção em Julho, respectivamente de 0,5 e 0,4 por cento.

Contracção
Entre os ramos pesquisados, 10 dos 26 apresentaram queda, com destaque para veículos automotores, reboques e carrocerias (-4,5 por cento), sector pressionado pela crise Argentina, importadora de veículos brasileiros - e produtos alimentícios (-1,7 por cento).
No segundo trimestre, a indústria registou contracção de 0,6 por cento, num período abalado pela greve dos camionistas no final de Maio, contribuindo para que o Produto Interno Bruto (PIB) do país registasse crescimento de apenas 0,2 por cento sobre os três meses anteriores.
Na última pesquisa realizada pelo Banco Central com economistas, a expectativa para a expansão da indústria neste ano foi reduzida a 2,43 por cento, de 2,61 por cento, com a estimativa para o PIB em 1,44 por cento.