A República Democrática do Congo (RDC) está determinada a estabelecer uma companhia aérea nacional no seu mercado interno e regional. Para isso, foi criada uma nova companhia, a Congo Airways que deve estar operacional até o final de 2014. A decisão foi tomada recentemente pelo Governo de Kinshasa durante a última sessão do Conselho de Ministros.

O projecto faz parte do programa de acção de cinco anos do Presidente Joseph Kabila. A preocupante situação da aviação civil no país caracterizase pela repetição de graves acidentes no tráfego aéreo, a falta de capacidade técnica e competências humanas da agência de supervisão (AAC). Ao mesmo tempo, o mau estado dos aeroportos em todo o país revelam condições que não atendem às exigentes normas internacionais, que perpetuaram as companhias aéreas congolesas na lista negra da União Europeia e da Icao.

Por outro lado, o diagnóstico apresentado confirma ainda a falência da companhia aérea nacional, as Linhas Aéreas do Congo, que se mostra incapaz, até agora, de operar os voos nacionais, prejudicada também pela falta de infraestruturas alternativas ao transporte rodoviário, ferroviário e fluvial, que agravam as dificuldades de circulação no país, entre as diferentes províncias e regiões. Assim, o Governo congolês refundou a companhia e criou a Congo Airways.

De acordo com a visão estratégica do Governo, a nova empresa será responsável pelo “transporte aéreo de pessoas e bens, nas melhores condições de segurança, confiabilidade e economia, mas também responderá ao objectivo estratégico, que visa facilitar a integração económica e territorial, dada a sua dimensão e as limitações impostas pelo estado actual das redes de transporte. “A
Congo Airways servirá também para contribuir na restauração da imagem e prestígio do país a nível nacional e internacional, bem como para o aumento do orgulho do país através da bandeira nacional”, lêse no comunicado oficial do Governo.

Por outro lado, o Governo congolês, proponente do projecto, é o principal accionista da nova empresa, mas não descarta a presença de pessoas singulares e colectivas do país que foram convidadas a subscrever o capital da empresa. Entretanto, outras empresas privadas e instituições públicas consideram o assunto nos órgãos sociais e poderão ainda engrossar o capital inicial e o investimento estimado em dois mil milhões de dólares norteamericanos.

Operacionalização
Tendo em conta que a companhia terá um carácter nacional, o Governo congolês pretende que esta operação traga a transferência de knowhow para os seus cidadãos. Por isso, uma equipa de funcionários nacionais, envolvidos em todo o processo de criação e desenvolvimento da empresa, será criada tendo em linha de conta a primazia dos objectivos e escolhas nacionais na determinação de estratégias de gestão. Neste processo, haverá três categorias de sócios: os accionistas nacionais; os privados e, por fim, o capital social reservado aos funcionários, a fim de motiválos a contribuírem para a vida e o desenvolvimento da empresa.

O projecto foi concebido para três fases: a operação de voos domésticos, dos regionais e a última etapa serão os internacionais. A duração de cada fase será determinada com base no plano de negócios, mas há correntes que apontam para o arranque em simultâneo das duas primeiras fases, sendo certo que a rede doméstica venha a ser o primeiro segmento a operar, onde os principais destinos serão Kinshasa, Lubumbashi, Kisangani, Goma, Bukavu, Kindu, MbujiMayi, Kananga, Mbandaka, Gemena, Isiro, Bunia, Kolwezi e Kalemie.

Estas cidades são propostas com base no plano de negócios preliminar desenvolvido com a ajuda de especialistas da Boeing Company, empresa que está contratada para prestar consultoria à concepção do projecto.