A Economia Comportamental é uma disciplina relativamente nova, decorrente da incorporação, pela economia, de desenvolvimentos teóricos e descobertas empíricas no campo da psicologia, da neurociência e de outras ciências sociais. Seus pesquisadores partem de uma crítica à abordagem económica tradicional, apoiada na concepção do “homo economicus’ que é descrito como um tomador de decisão racional, ponderado, centrado no interesse pessoal e com capacidade ilimitada de processar informações.
A economia tradicional considera que o mercado ou o próprio processo de evolução são capazes de solucionar erros de decisão provenientes de uma racionalidade limitada.
Em contraposição a essa visão tradicional, a Economia Comportamental sugere que a realidade é diferente: As pessoas decidem com base em hábitos, experiência pessoal e regras práticas simplificadas. Aceitam soluções apenas satisfatórias, buscam rapidez no processo decisório, tem dificuldade em equilibrar interesses de curto e longo prazo e são fortemente influenciadas por factores emocionais e pelo comportamentos dos outros.
Os economistas comportamentais buscam entender e modelar as decisões individuais e dos mercados a partir dessa visão alternativa a respeito das pessoas. Influências psicológicas, emocionais, conscientes e inconscientes que afectam o ser humano nas suas escolhas, são tentativamente incorporadas aos modelos.
A Economia Comportamental propôe-se a entender e modelar as decisões dos agentes de forma mais realista. O método experimental é a ferramenta mais utilizada pelos economistas comportamentais na sua investigação empírica sobre esses desvios em relação à acção racional.

Americano Richard Thaler

Richard H. Thaler, 72 anos, foi laureado em 2017 com o prémio do banco da Suécia para as Ciências Económicas em Memória de Alfred Nobel, vulgarmente conhecido como Nobel da Economia.
“É um pioneiro em integrar psicologia e economia”, disse um dos membros do painel na apresentação do vencedor do prémio. Na base do trabalho deste investigador da Universidade de Chicago está a forma como o comportamento humano influencia a economia e os mercados, questionando a racionalidade dos agentes económicos.
Como foi explicado, uma das partes do trabalho debruça-se sobre como uma acção (stock) pode ser vista por um investidor como “uma conta”: se a acção ganhar valor, o investidor tende a vendê-la e a fechar essa conta. No entanto, o ser humano “tem a versão a perdas” e, por isso, se a acção perder valor, o investidor terá tendência em manter essa acção até, eventualmente, recuperar o seu valor… ou não.
O trabalho deste economista é descrito como tendo aberto o caminho para a chamada ciência da “economia comportamental”. “Tornou a economia mais humana”, disse um dos responsáveis.