“O risco de termos de pedir um novo resgate financeiro é considerável" e "no caso de um segundo resgate, a posição de Portugal ficaria muito desvalorizada tanto na União Europeia como junto de outros países com os quais mantemos um intenso relacionamento económico", acenou ontem (10.07), Aníbal Cavaco Silva.

O Presidente da República portuguesa fez uma comunicação ao país em que exigiu que os únicos três partidos que, no seu entender, podem forma um Governo em Portugal - PSD, PS e CDS - assinem entre si um acordo político com incidência no médio e longo prazo e que o próximo Governo (de "salvação nacional"), que deve emergir de eleições antecipadas a partir de Junho de 2014, venha a ser suportado (por várias legislaturas, eventualmente) por essa maioria.

Só assim, acredita Cavaco, se afastará no curto a médio prazo o “fantasma” do segundo resgate.

“No contexto das restrições de financiamento que enfrentamos, a recente crise política mostrou, à vista de todos, que o país necessita urgentemente de um acordo de médio prazo entre os partidos que subscreveram o Memorando de Entendimento com a União Europeia e com o Fundo Monetário Internacional, PSD, PS e CDS".

“É esse o caminho que deveremos percorrer em conjunto. Darei o meu firme apoio a esse acordo, que, na actual conjuntura de emergência, representa verdadeiramente um compromisso de salvação nacional. Repito: trata-se de um compromisso de salvação nacional”.

Sem um acordo desse tipo já (nas próximas semanas?), as eleições antecipadas vão acontecer mais cedo. Para o PR, é o pior cenário possível.

“Iniciar agora um processo eleitoral pode significar um retrocesso naquilo que já foi conseguido e tornar necessário um novo programa de assistência financeira. Os sacrifícios dos Portugueses, em parte, teriam sido em vão”

Cavaco acrescentou ainda que “a falta de Orçamento do Estado agravaria, de forma muito significativa, o risco de Portugal ter de recorrer a um novo programa de assistência financeira. Este novo programa seria provavelmente mais exigente e teria condições mais gravosas do que aquele que actualmente está em vigor, com reflexos directos – e dramáticos – no dia-a-dia das famílias. Além disso, não há sequer a garantia de que os parlamentos nacionais dos diversos Estados europeus aprovassem esse segundo resgate financeiro”.

Tal como o Dinheiro Vivo noticiou esta semana, citando números de uma apresentação de Carlos Costa, governador do Banco de Portugal, o Presidente deu a entender que um segundo resgate poderá custar cerca de 14 mil milhões de euros no primeiro ano (2014).

“Existe uma outra razão, que a generalidade dos portugueses desconhece, e que desaconselha a realização de eleições a breve trecho. Em 2014, irão vencer-se empréstimos a médio e a longo prazo, que contraímos no passado, no valor de 14 mil milhões de euros. Ora, um dos nossos credores, o Fundo Monetário Internacional, impõe, nestas situações, uma regra: com um ano de antecedência relativamente à data de vencimento dos empréstimos, o Estado devedor tem de possuir os meios financeiros necessários para efectuar o reembolso. Em palavras simples: Portugal tem de assegurar, nos próximos meses, a totalidade dos meios financeiros para proceder ao pagamento dos empréstimos que se irão vencer em 2014", disse a partir de Belém.