As hipóteses de alguns dos potenciais candidatos no processo de selecção do novo director-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), iniciado esta semana e cujos nomes têm começado a circular, abriu uma complexa luta no âmbito da organização.
Fruto de uma norma não escrita após os acordos de Bretton Woods em 1944 nos quais foi fundado o FMI e sua instituição irmã, o Banco Mundial, as grandes potências dividiram entre si a designação da direcção de ambos os órgãos. Os Estados Unidos escolhem o presidente do BM enquanto a Europa selecciona o chefe do Fundo.
Nas apostas do processo “aberto e baseado no mérito” para escolher o sucessor de Christine Lagarde à frente da instituição, estão o presidente do Eurogrupo, que reúne os ministros das Finanças da zona do euro, o português Mário Centeno; a ministra de Economia da Espanha, Nadia Calviño; o ex-presidente holandês do mesmo órgão Jeroen Dijsselbloem; o governador do banco central finlandês, Olli Rehn, e a directora-executiva do Banco Mundial, a búlgara Kristalina Georgieva.

Queixas das economias

Esta divisão de poder entre EUA e Europa gerou queixas por parte das economias emergentes e organizações não governamentais que criticaram a pouca transparência e que a eleição não reflecte o equilíbrio de peso actual na economia global.
Para já, não passam de potenciais candidatos, mas há nomes para todos os gostos, incluindo franceses, que colocariam as duas maiores instituições internacionais novamente sob comando francês, como aconteceu na primeira década deste século, quando Jean-Claude Trichet era presidente do BCE e Dominique Strauss-Kahn director-geral do FMI.
O governo francês já anunciou que coordenará os trabalhos entre os países-membros da União Europeia (UE) para que o bloco apresente um candidato único a liderar o Fundo.
Entre alguns dos nomes sobre os quais se especula estão François Villeroy de Galhau, governador do Banco de França e Benoit Coeuré, membro da comissão executiva do BCE (termina o seu mandato no final do ano), ambos na lista de potenciais sucessores de Mario Draghi, nos quais também estavam outros dois governadores que poderão entrar na lista: o filandês Olli Rehn e o alemão Jens Weidmann. Nenhum destes nomes manifestou até ao momento vontade ou disponibilidade para assumir o cargo. Jens Weidmann até fez saber, através do seu porta-voz, que está muito satisfeito no cargo que desempenha.

Exigências

De acordo com o FMI, o candidato escolhido para suceder Lagarde que será designado em 4 de Outubro, terá que ter a requerida presença global para liderar o Fundo, que está no centro do sistema financeiro global”. O escolhido não pode ter mais que 65 anos
O prazo de recebimento de candidaturas que começou a 29 de Julho irá até 6 de Setembro, para suceder Christine Lagarde, que renunciou ao cargo para ir dirigir o Banco Central Europeu (BCE), iniciou ontem, devendo estender-se ao longo de toda a semana, até ao dia 6 de Setembro.
Lagarde, ex-ministra francesa e a primeira mulher a dirigir o FMI aos seus 75 anos de história, comunicou em meados deste mês a sua renúncia formal após saber da sua indicação para liderar o Banco Central Europeu. O segundo mandato, renovado em 2016, terminaria em julho de 2021.