A agência de classificação de risco Standard and Poor’s cortou segunda-feira o rating soberano do Brasil, citando a deterioração das contas públicas do país, e um revés para a presidente Dilma Rousseff, que vai tentar a reeleição neste ano cujos esforços para gerar maior crescimento económico levaram a uma deterioração das finanças do país.

A nota da dívida do país caiu para “BBB-”, a faixa mais baixa da categoria de grau de investimento, ante “BBB”, com perspectiva estável.

Esta foi a primeira vez desde 2002, ano da primeira eleição do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que uma das três principais agências de rating rebaixa a classificação do país.

A perspectiva para a nota foi alterada para estável, ante negativa, o que indica que a S&P não deve fazer novos rebaixamentos a curto prazo.

“O rebaixamento reflecte a combinação da deterioração fiscal, a perspectiva de que a execução fiscal continuará fraca diante de um baixo crescimento nos próximos anos, de uma capacidade reduzida para ajustar suas políticas antes das eleições presidenciais, e do ligeiro enfraquecimento das contas externas do Brasil”, disse a agência em nota divulgada segunda-feira.

A S&P argumentou que o Governo tem enviado sinais pouco claros sobre as suas políticas, gerando implicações negativas para as contas fiscais e a credibilidade da política económica.

O Governo acabou tomando as medidas e decisões que colocaram em suspeita a condução da divulgação política fiscal”, disse o economista-chefe do Espírito Santo Investment Bank, Jankiel Santos.

O movimento já era esperado, mas surpreendeu pelo momento em que foi anunciado. A expectativa era que uma mudança viesse apenas depois das eleições de Outubro, como havia indicado a própria agência recentemente. Na semana passada, os executivos da S&P fizeram verdadeira peregrinação no país, mantendo encontros com importantes figuras da equipa económica - como o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini.

Para o Governo, a decisão da agência foi “inconsistente” e “contraditória” com “a solidez e os fundamentos do Brasil”, como defendeu em nota o Ministério da Fazenda.