O mercado de trabalho no mundo terá menos desempregados, mas a ocupação vulnerável, sem protecção social, vai ganhar força nos próximos dois anos, segundo o relatório “Perspectivas sociais e de emprego no mundo: tendências 2018”, divulgado esta semana pela Organização Internacional do Trabalho (OIT).
A taxa de desemprego no mundo ficará em 5,5 por cento este ano, praticamente a mesma taxa de 2017, após três anos de alta, mas o número dos empregados em situação precária somará 1,426 mil milhões em 2019, 35 milhões a mais que no ano passado.
A OIT prevê que o mundo terá 192 milhões de desempregados este ano, o mesmo do ano passado.
O número de pessoas empregadas em todo o mundo aumentará em 34 milhões em 2018 e cerca de metade deles terá um emprego considerado vulnerável, isto é, serão trabalhadores por conta própria e trabalhadores familiares auxiliares.
“Embora o desemprego global tenha se estabilizado, o défice de trabalho decente continua generalizado, e a economia global ainda não está a criar empregos suficientes. Esforços adicionais devem ser implementados para melhorar a qualidade dos empregos para os trabalhadores e assegurar que os ganhos de crescimento sejam compartilhados de forma equitativa”, afirmou o Director-geral da OIT, Guy Ryder.
Progresso significativo
O relatório afirma que o progresso significativo alcançado no passado na redução do emprego vulnerável está paralisado desde 2012.
Nos países em desenvolvimento, o emprego vulnerável afecta três em cada quatro trabalhadores.
O relatório estima que 42,7 por cento da mão-de-obra empregada esteja em ocupações precárias em 2019. A taxa foi de
42,5 por cento no ano passado.
É essencial tomar medidas que estão directamente relacionadas a esses problemas
do mercado de trabalho.
Muitas vezes pensamos que o crescimento económico sozinho é a solução, quando na realidade não é tanto a taxa de crescimento da economia que pode gerar melhorias no emprego, mas a relação que existe entre essa taxa de crescimento e a expansão do emprego decente e produtivo.

Envelhecimento e produtividade
Segundo o relatório, o envelhecimento da população e especificamente da mão de obra fará a produtividade cair no mundo.
“Além do desafio que um número crescente de aposentados cria para os sistemas de pensão, uma força de trabalho cada vez mais velha também deve ter um impacto directo nos mercados de trabalho”, avisa o diretor interino do Departamento de Pesquisa da OIT, Sangheon Lee.
Para ela, o “envelhecimento pode reduzir a produtividade e diminuir os ajustes do mercado de trabalho
após choques económicos”.