A União Europeia vai criar uma entidade para continuar a negociar com o Irão, especialmente para a compra de petróleo, de modo a contornar as sanções impostas pelos Estados Unidos.
O anúncio foi feito esta semana pela Alta Representante da UE para a Política Externa e Segurança, Federica Mogherini, à margem da Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), que se realiza em Nova Iorque.
“Os estados membros da UE estabelecerão uma entidade legal para facilitar transacções financeiras legítimas com o Irão”, disse Federica Mogherini, após uma reunião entre o Irão e as cinco potências que continuam a apoiar o acordo (Rússia, China, França, Reino Unido e Alemanha).
Os ministros dos Negócios Estrangeiros dos cinco países e o Irão reiteraram, na reunião, a vontade de continuar com o acordo, apesar da retirada dos EUA.
Numa declaração conjunta, lida por Mogherini e pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Mohammad Yavad Zarif, recordaram que Teerão demonstrou que continua a cumprir a sua parte do acordo nuclear.
Os responsáveis deixaram claro que vão trabalhar para promover negócios legítimos com o Teerão. “Conscientes da urgência e da necessidade de resultados tangíveis, os participantes deram boas-vindas a propostas práticas para manter e desenvolver meios de pagamento, especialmente a iniciativa de estabelecer um veículo especial para facilitar os pagamentos relacionados com as exportações iranianas, incluindo petróleo, e a suas importações”, afirmou.
Na semana passada, durante a 62ª conferência da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), o responsável pela Organização de Energia Atómica do Irão, Ali Akbar Salehi, instou a França, o Reino Unido e a Alemanha a tomarem medidas concretas para salvar o acordo nuclear entre Teerão e as grandes potências.
O acordo nuclear entre o Irão e o grupo “5+1” (os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança - Estados Unidos, Rússia, China, França, Reino Unido e a Alemanha), concluído em 2015, levantou as sanções internacionais que levaram ao isolamento de Teerão, em troca da redução, quase na totalidade, do programa nuclear iraniano.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, retirou os Estados Unidos do acordo nuclear de 2015, em Maio último.
Às primeiras sanções norte-americanas, lançadas no início de Agosto, relativas ao sector financeiro e comercial, se seguirão outras, em Novembro, que afectarão o sector petrolífero e de gás.

Argel acolhe
OPEP

O 10ª sessão do Comité Ministerial conjunto de acompanhamento do acordo sobre a redução da produção petrolífera da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e não OPEP decorre domingo próximo, em Argel, soube-se de fonte bem informada na capital argelina.
Os participantes na reunião devem examinar a questão da produção de quantidades suplementares do crude destinado aos mercados petrolíferos perante os receios de um défice nas ofertas do petróleo com a entrada em vigor, em Novembro próximo, da segunda série das sanções americanas contra o Irão. Vários peritos consideram que esta reunião é muito importante, nomeadamente, com a participação da Rússia, que tem uma grande influência nos mercados petrolíferos no mundo. O perito economista argelino Mabtoul Abdel Rahman afirmou, que a presença da Rússia tem um peso na medida em que este país produz 1
0 milhões de barris/dia.