presidente da Comissão da União Africana (UA), Moussa Faki Mahamat, e o presidente do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), Akinwumi Adesina, reafirmaram o seu compromisso com a aceleração da transformação económica de África.

Mahamat e Adesina co-presidiram uma reunião consultiva de alto nível em que participaram altos responsáveis das duas instituições, para fazer o balanço da colaboração em curso entre ambas.

As discussões incidiram sobre as vias e meios de reforçar a parceria no âmbito da implementação da Agenda 2063 e outros quadros globais ligados ao desenvolvimento.

O presidente da Comissão da UA sublinhou o alinhamento das cinco grandes prioridades do BAD na Agenda 2063 da União Africana e nos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas (ODS).

"O Banco Africano de Desenvolvimento é o pilar financeiro da União Africana no que diz respeito à Agenda 2063, e nós temos de institucionalizar mais ainda a parceria para torná-la mais eficiente", prosseguiu Mahamat.

Por sua vez, Adesina recordou que durante a primeira reunião da UA, na altura denominada Organização de Unidade Africana (OUA), em 1963, que os Chefes de Estado aprovaram a criação do Banco Africano de Desenvolvimento.

Desde então, existe uma longa história de cooperação entre as duas instituições.

"Por conseguinte, temos de tirar proveito das relações de longa data entre as nossas duas instituições e mutualizar a nossa perícia colectiva e os nossos recursos a favor do desenvolvimento económico e a transformação social do nosso querido continente", disse.

Adesina sublinhou a importância estratégica do Escritório de Apoio do Secretariado Conjunto (JSSO), da Comissão Económica das Nações Unidas para a África e do BAD.

Reafirmou igualmente a necessidade de o BAD posicionar o JSSO como uma plataforma para incentivar uma colaboração e uma coordenação efectivas, aproveitando as vantagens comparativas das três instituições panafricanas.

A reunião congratulou-se com a nomeação de Lamin Barrow como novo director do JSSO e representante permanente do BAD junto da UA.

Numa declaração divulgada no termo da reunião, os líderes prometeram apoiar a implementação rápida das diferentes iniciativas continentais, a Agenda 2063 e os seus 12 principais Programas.

Trata-se, entre outros, da realização da Barragem Grande Inga; do Passaporte africano e a Livre circulação de pessoas; da criação de um Mercado Único de transporte aéreo africano; de uma Universidade virtual africana; da rede continental ferroviária integrada do Trem de Grande Velocidade e da Zona de Comércio Livre Continental Africana.

As duas instituições reconheceram em seguida a necessidade de continuar a explorar as oportunidades com vista a acelerar a implementação dos programas com a assistência dos parceiros e das Comunidades Económicas Regionais.

Economia da guiné-bissau
ameaçada pela incerteza

O economista guineense Santos Fernandes disse, que 2019 vai ser um ano de incerteza económica na Guiné-Bissau devido ao ciclo eleitoral, que começa com eleições legislativas a 10 de Março, e que vai afastar os investidores.

"Vamos ter um ano de incerteza a nível económico, porque os próprios investidores, se o país já vinha de cíclicas crises, agora têm razões de sobra para terem a incerteza relativamente ao ambiente de negócios", afirmou à Lusa, Santos Fernandes.

A Guiné-Bissau vai realizar eleições legislativas a 10 de Março, depois de uma crise política, que teve início em 2015 com a demissão do Governo formado pelo Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC).

Desde 2014, ano em que se realizaram as eleições legislativas, a Guiné-Bissau teve sete primeiros-ministros, um dos quais nomeado por duas vezes.

Para o economista, o crescimento vai ficar "um pouco acima dos 0,03 por cento", porque os "empresários são políticos e parte do seu capital vai ser canalizado para a campanha" eleitoral.

"Isso retrai o investidor que vai ficar a aguardar quem vai ganhar as eleições", salientou.

Santos Fernandes explicou também que a par daquele cenário vai contribuir o facto de o país continuar sem diversificar a economia, continuando a depender da comercialização da castanha de caju, que não cria emprego.

"Enquanto em África se fala da diversificação da economia, nós continuamos a falar da castanha de caju, e do ponto de vista económico, quanto mais heterogéneo e diversificado for o mercado melhor", disse.