Os 28 Estados da União Europeia deram ontem ‘luz verde’ para ultrapassar o bloqueio diplomático que impede o relacionamento institucional com Cuba desde 1996. Ao fim de três anos de discussões internas, em que foi necessário ultrapassar divergências de opinião da Alemanha, Polónia e República Checa, os ministros da União Europeia pediram à comissão para iniciar contactos que permitam o estabelecimento de um acordo político com o regime de Raul Castro, cuja família é em parte oriunda da região espanhola da Galiza.

Do acordo político resultará, segundo fontes diplomáticas de Bruxelas, a normalização das relações económicas, relações económicas, de investimento e de cooperação até 2015, como sucede entre a UE e países da América Latina.

O bloqueio das relações com a ilha, que se tornou independente de Espanha em 1898, foi imposto em 1996 pelo Governo espanhol liderado por José Maria Aznar (do Partido Popular) com base na chamada posição comum. O insólito instrumento diplomático – rarissimamente usado – permite a qualquer país da UE tomar uma decisão unilateral que impede o diálogo institucional com determinado país ou instituição considerados não respeidivulgaçãotadores dos direitos humanos e das liberdades individuais, decisão essa que se torna comum a todos os membros.

A nova posição dos países europeus resulta da evolução a que o regime tem procedido internamente desde que Raul substituiu o irmão, Fidel Castro, nos capítulos dos direitos humanos e das liberdades individuais. A ajudar o desanuviamento estará o mediático cumprimento que o Presidente norte-americano, Barak Obama, endereçou a Raul Castro durante as cerimónias fúnebres do líder sul-africano Nelson Mandela – que o mundo leu como uma aproximação entre os dois países, que não têm relações diplomáticas desde 1961, ano em que foi imposto um embargo à pequena ilha das Caraíbas.

A posição comum nunca foi verdadeiramente impeditiva de relações económicas entre o regime fundado por Fidel Castro e empresários estrangeiros. Neste particular, assumem especial relevo os investimentos que o empresário português Américo Amorim tem há décadas em Cuba – de que resultou um entendimento entre ambos tido como próximo da amizade. A UE é o primeiro investidor estrangeiro em Cuba – destino de exportações de mais de dois mil milhões de euros anuais e de importações de 700 milhões.