A nova fábrica de biodiesel da Galp em Sines (Portugal), ontem inaugurada, vai permitir aumentar as exportações de combustíveis líquidos em mais 26 milhões de euros por ano, segundo o presidente executivo da empresa, Manuel Ferreira de Oliveira. Contudo, não será por via das vendas deste novo biodiesel lá fora, mas sim porque a empresa vai passar a ter um excedente do gasóleo normal, que agora pode escoar para outros mercados.

 

“Vamos produzir nesta fábrica 27 mil toneladas de biodiesel por ano que usaremos em Portugal para juntar ao gasóleo, como é exigido pela Comissão Europeia. Isso significa que vamos ter mais gasóleo normal disponível para exportar para outros mercados e como o gasóleo está a mil dólares por tonelada dá, sensivelmente, vendas de 26 milhões de euros”, explicou ao Dinheiro Vivo, o presidente executivo da Galp.

 

Quer isto dizer que, quanto mais biodiesel a Galp incorporar no gasóleo normal que vende em Portugal, mais combustível terá disponível para exportar e mais venderá para o exterior. Ou seja, os 26 milhões de euros adicionais facilmente poderão crescer.

 

Isto acabará por acontecer, também segundo exigência da Comissão Europeia, já que a percentagem é de 5,5 por cento, mas este ano passa para 6 por cento e até 2020 chegará aos 10 por cento, adiantou Ferreira de Oliveira.

 

O problema é que, segundo o CEO da Galp, “esta trajectória tem um custo” uma vez que “incorporar biodiesel no gasóleo normal traduz-se num aumento dos preços para o consumidor final, mais precisamente entre dois e três cênrimos por litro”.

 

Contudo, Ferreira de Oliveira, lembra que esta é uma exigência europeia e não muma decisão da companhia. Esta nova fábrica surge, aliás, por necessidade, uma vez que com ela a Galp está também a evitar a importação desse tipo de combustível “verde”, o que seria mais caro que produzi-lo cá.

 

Acresce ainda, segundo o CEO da Galp, que a construção desta fábrica -que custou 8,5 milhões de euros - recorreu maioritariamente a empresas portuguesas e ainda que a matéria-prima que é ali transformada em combustível é 100 por centonacional. “As carcaças e restos das vacas e porcos dos matadouros e ainda os resíduos dos óleos de cozinha vem tudo para aqui”, comentou.