As ameaças ao comércio são o maior obstáculo para a economia global, mas a economia dos Estados Unidos da América (EUA), a maior do mundo, permanece em boa posição, disse Christine Lagarde, próxima presidente do Banco Central Europeu (BCE), em entrevista à
“CNBC” esta semana.
Lagarde, que chefiava o Fundo Monetário Internacional (FMI) desde 2011, disse à “CNBC” que as tarifas impostas pelos EUA e China devem retirar 0,8 por cento do crescimento económico global em 2020, pesando como uma “grande nuvem escura na economia global”.
Ao mesmo tempo, Lagarde disse que a economia dos EUA continuava a crescer. “Está numa posição muito boa”, disse ela em entrevista.Na semana passada, o Parlamento Europeu apoiou Lagarde como a próxima presidente do BCE, a primeira mulher a ocupar o cargo. As autoridades votaram 394 a favor, 206 contra e com 49 abstenções em 17 de Setembro.
Os líderes da UE seleccionaram a ex-advogada antitruste em Julho para substituir Mario Draghi a partir de 1º de Novembro, no comando da instituição financeira mais poderosa do bloco. Os líderes da UE formalizarão a sua nomeação em meados de Outubro para um mandato de oito anos.
Lagarde expressou optimismo em relação às perspectivas económicas da Europa considerando o que chamou de grandes mudanças realizadas desde 2011, com maior supervisão das instituições financeiras, melhor capitalização e menores custos de financiamento.
Mas ela observou que as autoridades agora têm menos espaço para fazer ajustes fiscais e monetários, acrescentando que os riscos económicos viriam de “algum lugar que não antecipamos”.
Lagarde disse que a Europa estará em “boa forma” se a zona do euro se mover para criar uma união bancária real e fortalecer o mercado de capitais, e afirmou que havia indicações de que isso estava em andamento.
“Se a zona do euro puder se fortalecer, e há indícios de que isso possa ocorrer no horizonte de curto prazo, com uma união bancária real, com um mercado de capitais melhor, com dimensões e profundidade da zona do euro, e se houver mais esforço para dirigir a economia da Europa, acho que a região do mundo estará em boa forma”, afirmou.
Respondendo a reclamações sobre o ritmo lento da mudança na zona do euro, ela disse que as decisões demoram mais no bloco porque a política deve ser coordenada entre 19 países. “Minha esperança é que não se trate apenas de (política) monetária, mas também sobre fiscal, e sobre reformas estruturais, a fim de liberar o potencial”, disse.