A China anuncia “uma nova fase de abertura”, em pleno clima de tensão comercial com os Estados Unidos da América.
Perante os altos responsáveis internacionais reunidos no Fórum de Boao para a Ásia, na província chinesa de Hainan, o presidente chinês, Xi Jinping, prometeu baixar as taxas à importação de automóveis e um maior acesso das empresas estrangeiras ao sector financeiro da segunda economia mundial.
Sem referir directamente o contencioso com a administração Trump, Xi Jinping disse que “a mentalidade da Guerra Fria”, está cada vez mais ultrapassada.
“O isolacionismo apenas serve para erguer barreiras. Só com um desenvolvimento pacífico e cooperação todos podem ganhar”, sublinhou o líder chinês no seu discurso.
Depois de Donald Trump ter aplicado taxas de importação ao alumínio e ao aço à China, foi a vez do país asiático retaliar. A China impôs uma tarifa de 25 por cento a 128 produtos de importação norte- americana.
Vinho, abacate, amêndoas, carne de porco. A partir de agora, estes e muitos outros produtos terão uma taxa adicional às importações feitas pelos EUA, uma espécie de resposta do Governo chinês às políticas de Trump.
A China tinha dito que não queria uma guerra comercial, pelo menos enquanto a economia do país não fosse afectada. A estas novas tarifas, fontes avançaram que as autoridades norte-americanas irão anunciar novas medidas às importações chinesas.
Presente no Fórum, a directora do Fundo Monetário Internacional aplaudiu medidas que “eliminem as barreiras” comerciais. Christine Lagarde disse que “dois terços dos robôs do planeta estão nesta região, sobretudo no Japão, Coreia do Sul e China e é através do comércio que a inovação vai continuar a ser partilhada”.

EUA mais forte
Donald Trump defendeu, na passada segunda-feira, que a economia dos Estados Unidos será muito mais forte depois de renegociar os acordos comerciais com a China.
Fiel à sua posição, o presidente norte-americano voltou a acusar a China de “tirar partido dos Estados Unidos há muitos anos”, tendo acrescentado que o seu país “devia ter sido capaz de fazer o que eles fizeram”.
Se Jinping mostrou um tom conciliador, por outro lado Pequim apresentou uma queixa na Organização Mundial do Comércio, para contestar a decisão de Trump de impor taxas à importação de aço e alumínio.
Sinal de evidente contraponto ao hegemonismo dos Estados Unidos no mercado mundial. A China está a promover a Conferência Anual de 2018 do Fórum Boao para a Ásia, sob o lema deste ano que é “Uma Ásia Aberta e Inovadora para um Mundo de Maior Prosperidade”, o evento decorreu de 8 a 11, em Boao.