Representantes de países de todo o mundo reúnem-se, esta semana, em Livingstone, Zâmbia, para discutir, entre outras questões, como ajudar os países mais pobres e como se deve intensificar os esforços globais para enfrentar novos desafios, tendo em conta que há uma grande concentração da pobreza na África Subsaariana e nos países afectados por conflitos.
Ao comentar sobre o encontro, a directora executiva do Banco Mundial (BM), Kristalina Georgieva, disse que o número de pessoas que vive em extrema pobreza no mundo continua a diminuir, pois, em 25 anos a pobreza extrema foi reduzida de 36% para 10% e, hoje, são menos 1,1 mil milhões de pessoas que vivem com menos de 1,90 dólares por dia.
“Durante a próxima década, a guerra contra a pobreza deve ser ganha ou será perdida em África. A Associação Internacional de Desenvolvimento é importante, porque é a maior fonte única de ajuda ao desenvolvimento para os 75 países mais pobres do mundo, entre os quais mais da metade desses países está em África”, destacou Kristalina Georgieva.
Fundada há quase 60 anos, a IDA, a Associação Internacional de Desenvolvimento e o braço do Grupo do Banco Mundial que fornece financiamento para os países mais pobres, chegou à metade da sua actual etapa de três anos, valorizada em 75 mil milhões de dólares, dos quais cerca de 45 mil milhões são destinados a África.
Denominado IDA18, este é o maior e mais ambicioso programa da IDA até o momento, com foco em temas chave que estão tão intimamente ligados à superação da pobreza, como empregos, transformação económica, mudança climática, género, fragilidade e conflito.

Pacotes de financiamento
Pacotes especiais de financiamento para responder a crises de refugiados e o desenvolvimento do sector privado também fazem parte das acções.
Enquanto se questiona o que vai bem no meio da caminhada, Kristalina Georgieva diz que “a boa notícia é que há fortes indícios de sucesso inicial”, uma vez que “ultrapassamos a nossa meta de meio período de fazer 30 mil milhões de dólares em compromissos com países elegíveis à IDA”, a associação “lançou a sua primeira emissão de bónus, mobilizando os mercados na luta contra a pobreza e arrecadou 1,5 mil milhões de dólares de 110 investidores em 30 países, incluindo bancos, fundos soberanos e seguros e fundos de pensão”.
Para a directora executiva do BM, o mais importante é saber que a IDA traduz o financiamento em impacto. Por exemplo, referiu, nos países afectados por conflitos, nos últimos quatro anos, a IDA forneceu serviços essenciais de saúde e nutrição para 17 milhões de pessoas, imunizações para mais de 8 milhões de crianças e melhor acesso a água e saneamento para 1,7 milhões de pessoas.
O fundo também ajudou as redes de segurança social desses países a alcançar 7,8 milhões a mais de beneficiários. Nos Camarões, a IDA também destinou 130 milhões de dólares para projectos que ajudaram cerca de 350 mil refugiados.
Já existem bons resultados nos temas da IDA18 e áreas especiais de financiamento e a associação destinou 185 milhões de dólares para 13 projectos do sector privado, a maioria em estados frágeis. Os investimentos também trouxeram 800 milhões de dólares de outros financiadores e ajudaram a reduzir os riscos para o investimento privado.