O s governos da Zâmbia e do Zimbabwe, com o apoio do Secretariado da COMESA (Mercado Comum da África Oriental e Austral), projectam um programa conjunto de industrialização, que deve basear-se em experiências e lições aprendidas com as “joint ventures” existentes.
Os dois países já cooperam em vários sectores, para a transformação estrutural e económica, desde a federação da Rodésia e Nyasaland. Isso inclui a geração de energia conjunta na barragem de Kariba, a Central Hidroeléctrica de Batoka, proposta e o programa de turismo conjunto para as Cataratas Vitória, entre outras perspectivas.
O encarregado zambiano da Divisão de Indústria e Agricultura, Innocent Makwiramiti, revelou em Lusaka que os dois países realizaram recentemente uma reunião sobre o roteiro do programa conjunto de cooperação para a industrialização.
“A cooperação na industrialização permitirá que os dois países aproveitem vantagens comparativas dos seus diversos recursos naturais e sinergias na utilização de recursos, melhorem a competitividade e colham os benefícios das economias de escala”, acrescentou Innocent Makwiramiti.
Ambos os países querem dar prioridade à industrialização nos seus Planos Nacionais de Desenvolvimento, como um motor crítico para impulsionar o desenvolvimento económico e crescimento. Eles também têm estratégias de industrialização que estão alinhadas com a política e estratégias regionais de industrialização da COMESA e da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC).
A primeira reunião técnica para efectivar a cooperação foi realizada em Lusaka, em Novembro de 2019, e contou com a presença de funcionários dos Ministérios do Comércio e Indústria da Zâmbia e do Zimbabwe. Os técnicos juntaram representantes da Embaixada do Zimbabwe e do Secretariado da COMESA e a chefe da Divisão de Economia Rural da União Africana, Janet Edeme, que participou como observadora.
Cooperativa adquire participação
A Zambia Cooperative Federation (ZCF - Confederação de Cooperativas da Zâmbia, em português) vai adquirir 70 por cento das acções da Moagem Kasama Milling, na tentativa de reduzir o preço dos alimentos.
O Governo zambiano tem dialogado com possíveis financiadores, com os quais as discussões têm sido progressivas, para obter os fundos necessários. A ZCF está a injectar quase 1,9 milhão de kwacha, o equivalente a 130 mil dólares, para as operações.
Outras moageiras privadas também juntaram-se à iniciativa de tornar os alimentos acessíveis, como a African Milling Limited, que quer apostar no seu recém instalado moinho de milho, capaz de produzir 336 toneladas por dia e armazenar até 50 mil toneladas do produto.
Na sequência do acordo, a moageira já reduziu o preço grossista de um saco de 25 quilogramas, de 150 kwachas para 130, na fábrica, e que deve ser vendido no mercado por 136 kwachas.
De acordo com o director-geral da ZCF, James Chirwa, a Confederação quer assumir um papel de liderança em termos de industrialização das zonas rurais. Revelou ainda que a Confederação pretende instalar dez fábricas de moagem em distritos rurais que exijam uma injecção de capital de cerca de 38 milhões de dólares.
James Chirwa afirmou que a Confederação quer concentrar-se nas zonas rurais, onde há menos concorrência. “Queremos deixar uma vaga na cidade, para aqueles que se sentem confortáveis em operar na cidade e queremos ir para um espaço que não é explorado pelas pessoas e que é uma zona rural.”